Tecnologia também é capaz de aumentar a produtividade em cerca de 15% podendo gerar uma economia superior a R$ 20 mil a cada 100 hectares
Com resultados que apontam para uma redução de até 90% no uso de defensivos agrícolas, a Deep Tech nordestina Yathē Agritech — startup premium do SNASH — vem ganhando espaço no setor sucroenergético ao aplicar inteligência artificial e sensoriamento remoto no manejo da cana-de-açúcar.
A cultura onde a tecnologia já apresenta seus melhores índices de efetividade.
No momento em que o agronegócio brasileiro busca conciliar produtividade, redução de custos e exigências crescentes de sustentabilidade, a empresa aposta em uma abordagem baseada em dados para transformar a forma como o produtor enxerga — e maneja — sua lavoura.
Segundo Ronaldo Filho responsável pelo Marketing da Yathē, os resultados obtidos em campo chamam a atenção.
“Conseguimos chegar a níveis de assertividade na casa dos 90% — ou até mais, dependendo da análise. Isso significa uma redução muito significativa no uso de defensivos, porque o produtor deixa de aplicar de forma generalizada e passa a atuar exatamente onde está o problema”, afirma em entrevista à Revista A Lavoura.
Agricultura de precisão aplicada à cana

Identificação de daninhas via cruzamento de dados imagens da lavoura capturadas por drones da Yathē . Foto: Divulgação
A solução da Yathē combina drones, processamento de imagens e algoritmos de inteligência artificial.
O processo começa com o sensoriamento das áreas cultivadas, especialmente em regiões desafiadoras como o Nordeste, onde a cana é plantada em terrenos acidentados, ao contrário do Centro-Sul.
As imagens captadas são processadas e transformadas em mapas georreferenciados que identificam, com precisão, falhas de plantio, focos de pragas e presença de plantas daninhas. A partir daí,o sistema orienta a aplicação localizada de insumos.
Na prática, isso representa uma mudança estrutural no manejo agrícola.
“Em vez de pulverizar a lavoura inteira, o produtor aplica apenas onde há estresse. Ele recebe as coordenadas exatas, a quantidade necessária e pode integrar isso ao maquinário ou ao drone de aplicação”, explica Ronaldo.
Os ganhos são expressivos. De acordo com dados da empresa, a tecnologia pode reduzir em até 90% o uso de defensivos, aumentar a produtividade em cerca de 15% podendo gerar uma economia superior a R$ 20 mil a cada 100 hectares.

A empresa está desenvolvendo uma nova tecnologia que promete eliminar pragas diretamente no campo, sem necessidade de defensivos químicos. Foto: Divulgação
Forte adesão de usinas e cooperativas
O modelo de negócio da Yathē é voltado principalmente para médios e grandes produtores, usinas e cooperativas — especialmente aquelas com áreas acima de 1 mil hectares.
Entre os clientes atendidos por meio de cooperação técnica estão nomes relevantes do setor sucroenergético, como Cooperativa Pindorama, Usina Caeté, Usina Santa Clotilde, Usina Santa Maria, Grupo Luiz Jatobá e Usina Coruripe.
Segundo Ronaldo, a busca pela tecnologia está diretamente ligada à pressão por eficiência econômica.
“O primeiro fator é a redução de custos, principalmente com insumos, que são caros. Mas também existe uma demanda por validação: muitas usinas utilizam nossa tecnologia para comparar o planejamento com a realidade do campo, porque a IA traz um nível de precisão maior”, diz.
Além disso, há um movimento crescente ligado à rastreabilidade e certificações ambientais, especialmente com a perspectiva de exigências mais rígidas em mercados internacionais.
“A agricultura de precisão ajuda essas empresas a se adequarem a processos de certificação e a demonstrarem metas de sustentabilidade”, acrescenta.
ETHAONE, um salto da identificação para a ação
A empresa está desenvolvendo uma nova tecnologia que promete eliminar pragas diretamente no campo, sem necessidade de defensivos químicos.
Essa evolução faz parte da iniciativa ETHAONE, que inclui a implantação de uma unidade industrial e de um parque tecnológico em Atalaia (AL).
O projeto prevê o desenvolvimento de um implemento agrícola equipado com laser, capaz de identificar e eliminar plantas daninhas de forma automatizada.
“A gente está dando um passo além. Não só identificar, mas atuar diretamente no problema. A ideia é substituir o defensivo em determinadas situações, reduzindo ainda mais o impacto ambiental e o custo para o produtor”, explica Ronaldo.
O desenvolvimento inicial está focado em uma das principais pragas da cana-de-açúcar, com potencial de expansão para outras culturas no futuro.
Expansão e novos mercados
Embora a cana-de-açúcar seja o carro-chefe, a Yathē já prepara a expansão para outras culturas, como soja, milho e frutas, além de soluções específicas para pecuária — como a identificação de plantas tóxicas em pastagens, que podem causar prejuízos significativos ao produtor.
Com investimento de R$ 5 milhões obtido junto à FINEP e atuação crescente no mercado B2B no modelo SaaS, a startup também começa a se estruturar para captar recursos privados e ampliar sua presença nacional.
“A gente vem fortalecendo a área comercial para ganhar escala e, ao mesmo tempo, se preparar para novas rodadas de investimento. O mercado é grande e ainda pouco explorado, especialmente no caso da cana”, afirma Ronaldo.








