Nova ferramenta fornece insights estratégicos para nutrição, controle de metano e prevenção de doenças em rebanhos de corte e leite (Foto: Divulgação)
A B4A, Startup Premim do SNASH, ecossistema de inovação apoiado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), é uma empresa brasileira de biotecnologia que desenvolve soluções baseadas em análise de microbiomas para os setores agropecuário, ambiental e de saúde animal. Sua plataforma proprietária combina sequenciamento genético, inteligência artificial e modelagem ecológica para gerar diagnósticos preditivos e recomendações práticas voltadas à eficiência, sustentabilidade e produtividade.

O CTO da B4A, Robert Cardoso de Freitas. Foto: Divulgação
Referência no segmento, a B4A anuncia o lançamento de uma tecnologia inédita de diagnóstico da microbiota ruminal a partir de amostras fecais. Baseada em sua expertise consolidada na análise da microbiota do solo, a nova solução amplia o alcance da empresa para o campo da microbiota de ruminantes, oferecendo insights estratégicos e práticos para aprimorar saúde, nutrição e eficiência produtiva de rebanhos de corte e leite e auxiliar empresas na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.
O diagnóstico, baseado em sequenciamento genético e análise avançada da microbiota, permite avaliar o equilíbrio do rúmen e o desempenho digestivo dos animais de forma não invasiva, identificando padrões microbianos que impactam diretamente a eficiência alimentar, a emissão de metano e o risco de distúrbios metabólicos.
“A análise da microbiota fecal é uma ferramenta que ajuda produtores de gado de corte e leite a acompanhar a saúde e o desempenho dos animais. Por meio das fezes, é possível obter informações valiosas sobre o equilíbrio do rúmen e a eficiência digestiva, sem a necessidade de amostragens complexas e estressantes para os animais”, explica o CTO da B4A, Robert Cardoso de Freitas.
Diagnóstico microbiológico com múltiplas aplicações
Com base em dados de milhares de amostras analisadas, a tecnologia permite monitorar, inicialmente, cinco aspectos estratégicos do manejo de ruminantes:
- Identificação de desequilíbrios alimentares e ajuste fino das dietas;
- Cálculo do potencial de emissão de metano, com base em perfis microbianos específicos;
- Controle de acidez ruminal e risco de acidose subaguda;
- Bioindicadores gerais de saúde e nutrição da biota intestinal.

Além disso, mesmo com a baixa abundância de arqueias metanogênicas nas fezes (0,5% da comunidade microbiana), é possível predizer até 60% das leituras de emissão de metano. Comunidades com cerca de 12% de organismos produtores de butirato e propionato apresentam o melhor equilíbrio para controle da emissão de metano, enquanto altas proporções de Streptococcus e Lactobacillus indicam risco de acidose subaguda.
LEIA TAMBÉM:
→ Um “cérebro” embarcado aos equipamentos agrícolas
Aplicação prática e valor científico
A tecnologia já vem sendo utilizada em projetos de pesquisa e produção. A zootecnista Elaine Magnani (UNESP/IZ/USP), especialista em produção e nutrição de ruminantes, relata sua experiência: “A análise integrada da microbiota ruminal e fecal trouxe uma nova camada de entendimento sobre a resposta dos animais aos diferentes tratamentos. Os dados permitiram identificar padrões microbianos associados ao desempenho e à nutrição, contribuindo para interpretações mais robustas dos experimentos.”
A B4A destaca que o diagnóstico oferece benefícios específicos para diferentes sistemas de produção:
- Gado de corte: otimização da conversão alimentar, monitoramento de eficiência alimentar e redução da emissão de metano
- Gado de leite: prevenção de acidose subaguda, manutenção da saúde do trato digestivo e ajuste nutricional para estabilidade produtiva

A tecnologia também pode ser aplicada por empresas de nutrição animal para avaliar o impacto de diferentes estratégias nutricionais sobre a saúde digestiva, a eficiência alimentar e a emissão de metano. Foto: Divulgação
A tecnologia também pode ser aplicada por empresas de nutrição animal para avaliar, com base microbiológica, o impacto de diferentes estratégias nutricionais sobre a saúde digestiva, a eficiência alimentar e a emissão de metano.
A Korin Agricultura e Meio Ambiente utiliza as análises de metagenômica desde as etapas de desenvolvimento dos produtos até sua avaliação de performance em campo. “A análise da microbiota permitiu aprofundar a compreensão sobre o impacto dos produtos na fisiologia digestiva dos animais. Os dados gerados contribuíram para a avaliação de desempenho em campo e para o refinamento das estratégias de desenvolvimento”, relata a zootecnista e gerente de Pesquisa Aplicada, Dayana Pereira.
Com essa inovação, a empresa reforça seu compromisso em integrar biotecnologia, ciência de dados e sustentabilidade para aumentar a eficiência e o bem-estar animal em toda a cadeia produtiva.








