Evidências científicas mostram que composição, frescor e processo produtivo impactam diretamente os benefícios do azeite à saúde, mas essas informações nem sempre estão claras para o consumidor (Foto: jillwellington/Pixabay)
Na hora de escolher um azeite nas gôndolas, o preço ainda é o principal critério para muitos consumidores. No entanto, especialistas alertam que diferenças menos visíveis, como a composição química, a origem e o controle de qualidade, podem impactar diretamente o sabor e os benefícios nutricionais do produto.
“O consumidor evoluiu e hoje busca mais informação, mas o mercado ainda não traduz com clareza o que de fato diferencia um azeite de outro. Nem todo extra virgem entrega o mesmo valor nutricional, e essa é uma discussão que precisa avançar”, afirma o country manager Brasil & Latam da Filippo Berio, Eduardo Casarin.

A composição química, a origem e o controle de qualidade, podem impactar diretamente o sabor e os benefícios nutricionais do azeite. Foto: congerdesign/Pixabay
O azeite de oliva extra virgem é amplamente reconhecido como um dos pilares da dieta mediterrânea, associada à longevidade e à redução do risco de doenças cardiovasculares. Seu valor está principalmente na presença de compostos fenólicos, antioxidantes naturais que variam significativamente de acordo com a qualidade do produto.
Com a palavra, a ciência
Estudos científicos reforçam essa relação. Um ensaio clínico randomizado publicado no Journal of Nutrition demonstrou que o consumo de azeite rico em polifenóis reduziu significativamente partículas de LDL e sua oxidação, fatores diretamente associados ao risco cardiovascular. Já a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) reconhece que compostos fenólicos do azeite contribuem para a redução do colesterol LDL e da pressão arterial, auxiliando na diminuição do risco de doenças coronarianas.
Outro estudo clínico recente aponta que azeites extra virgem com maior teor de polifenóis apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e cardioprotetoras mais intensas.
Dicas para escolher um azeite extra virgem de qualidade

O tempo entre a colheita e a extração é um dos fatores que diferenciam um azeite de boa qualidade. Foto: peggy_marco/Pixabay
Como nem todas as informações relevantes estão disponíveis no rótulo dos azeites, vale a pena ir além da gôndola e pesquisar antes da compra. Consultar o site da marca, verificar se há dados sobre origem, processo produtivo e controle de qualidade, e avaliações de especialistas e certificações, podem ajudar na escolha mais consciente e alinhada às expectativas de melhor saudabilidade, sabor e qualidade.
– Classificação e integridade do produto: prefira azeites identificados como “extra virgem”, obtidos exclusivamente por processos mecânicos, como a prensagem a frio.
– Importância da embalagem: embalagens escuras ou em lata ajudam a preservar esses compostos, protegendo o azeite da luz.
– Tempo entre a colheita e a extração: embora não seja informado no rótulo, na prática o consumidor pode usar alguns indicativos indiretos, como as práticas de produção, como rapidez no processamento das azeitonas. Essas informações costumam estar nos sites oficiais ou materiais institucionais e indicam maior cuidado com a preservação do frescor e das propriedades nutricionais.
– Certificações e controle de qualidade: auditorias independentes e certificações internacionais são indicativos relevantes de segurança e padronização.
O que observar no rótulo dos azeites
Além dos critérios técnicos, o rótulo pode oferecer pistas importantes sobre a qualidade do azeite:
Classificação: leia atentamente a denominação do produto, sem se limitar apenas à ilustração e às imagens no rótulo. No mercado, existem diversos tipos de azeite e óleos compostos. Prefira o “azeite de oliva extra virgem” para aproveitar ao máximo os benefícios do produto.
Informações sobre a empresa: pesquise a origem da marca, no site oficial e em outros dados nos canais de comunicação. Prefira companhias consolidadas no mercado, com tradição no setor de azeite e que sejam transparentes em seus processos produtivos.
Tipo de embalagem: garrafas escuras ou latas protegem contra a luz e a oxidação.
Certificações: selos de qualidade e segurança alimentar indicam maior controle produtivo.
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Sustentabilidade e tecnologia também entram na escolha
A qualidade do azeite está diretamente ligada à forma como ele é produzido. Empresas mais estruturadas investem em tecnologia para preservar nutrientes desde o campo até a garrafa, além de adotar práticas sustentáveis, como redução de emissões e uso de energia renovável.

A qualidade do azeite está diretamente ligada à forma como ele é produzido. Foto: ubert/Pixabay
Escolher um azeite vai muito além do preço. A ciência já comprova que fatores como concentração de polifenóis, frescor e processo produtivo impactam diretamente os benefícios à saúde. Em um cenário em que nem todas as informações estão claras no rótulo, entender esses critérios é essencial para fazer escolhas mais conscientes, saudáveis e seguras.
“Quando falamos de qualidade, estamos falando de uma cadeia inteira, que começa no campo e passa por seleção rigorosa, controle técnico e avaliação sensorial. Esse conjunto de fatores é o que garante não apenas o sabor, mas também a preservação dos compostos que a ciência já reconhece como benéficos à saúde”, explica Casarin. “Em um mercado com ampla oferta, entender esses critérios é essencial para uma decisão mais informada, equilibrando custo, qualidade e bem-estar”, conclui.








