Pequenas escolhas durante os jogos podem reduzir resíduos e fortalecer a economia circular
A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do planeta e também um período de aumento significativo na geração de resíduos. Entre encontros para assistir aos jogos, comemorações em bares, festas e reuniões em casa, latas, garrafas, embalagens e copos descartáveis passam a fazer parte da rotina de milhões de torcedores.

Ao optar por bebidas em lata, aumentam as chances de que a embalagem retorne rapidamente para a indústria e volte a circular como matéria-prima Foto Divulgação
Os números ajudam a dimensionar esse impacto. Durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, estima-se que cerca de 320 toneladas de resíduos foram geradas apenas nos estádios ao longo dos 64 jogos.
Fora das arenas, nas Fan Fests e áreas turísticas das cidades-sede, estudos apontaram um aumento de aproximadamente 15 mil toneladas no volume de resíduos urbanos produzidos durante o evento.
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Hábitos sustentáveis
A jovem empreendedora baiana Saville Alves, fundadora e CEO da SOLOS, startup especializada em soluções para economia circular e reciclagem inclusiva, defende que grandes eventos esportivos também podem se tornar oportunidades para fortalecer hábitos sustentáveis e impulsionar a geração de renda para catadores e cooperativas.
Em sua avaliação, cada embalagem descartada durante a Copa pode seguir dois caminhos: virar lixo ou retornar à cadeia produtiva. “Quando escolhemos descartar corretamente nossos resíduos, contribuímos para a preservação ambiental, mas também para a geração de trabalho e renda de milhares de pessoas que atuam na reciclagem”, ressalta a executiva.
Torcer pela seleção e ajudar o planeta
Saville Alves, que, desde o fim de 2025, também atua como presidente da Associação Brasileira de Logística Reversa (ABELORE), sendo a primeira mulher a comandar a instituição, reuniu cinco dicas práticas para quem quer torcer pela seleção e, ao mesmo tempo, ajudar o planeta.

Sempre que possível vale dar preferência às garrafas de 600 ml, que são retornáveis, invés das Long necks que são descartáveis Foto ABRASEL/Divulgação
Dê preferência às bebidas em lata
O alumínio possui uma das cadeias de reciclagem mais eficientes do Brasil e está entre os materiais mais valorizados pelos catadores. Ao optar por bebidas em lata, aumentam as chances de que a embalagem retorne rapidamente para a indústria e volte a circular como matéria-prima.
Priorize embalagens retornáveis
Outra alternativa é optar por garrafas retornáveis sempre que possível. Além de reduzirem a quantidade de resíduos gerados, elas demandam menos recursos naturais ao longo de seu ciclo de vida quando comparadas às embalagens descartáveis.
Incentive a reciclagem dos vidros
O vidro pode ser reciclado infinitamente sem perder qualidade. No entanto, muitas vezes não recebe a destinação adequada. Por isso, sempre que possível vale dar preferência às garrafas de 600 ml, que são retornáveis, invés das Long necks que são descartáveis. Além de reduzirem a geração de resíduos, as embalagens retornáveis permanecem por mais tempo em circulação, diminuindo a necessidade de produzir novas garrafas.

Ao assistir aos jogos em bares e restaurantes, aproveite para perguntar como é feita a destinação das embalagens consumidas no local Foto SOLOS/Divulgação
Faça da reciclagem parte da conversa
Ao assistir aos jogos em bares e restaurantes, aproveite para perguntar como é feita a destinação das embalagens consumidas no local e procure entender para onde esses resíduos são encaminhados após o descarte.
Demonstrar interesse pelo tema ajuda a dar visibilidade à reciclagem e reforça a importância de práticas sustentáveis também nos espaços de lazer e convivência.
Quem já conhece cooperativas, programas de coleta seletiva ou iniciativas de reciclagem na região também pode compartilhar essas informações com os estabelecimentos, contribuindo para ampliar a destinação adequada dos resíduos gerados durante a Copa.
Além da camisa da seleção: leve o copo e canudo para o jogo
Copos reutilizáveis, garrafas pessoais e a redução do uso de itens descartáveis ajudam a diminuir significativamente a quantidade de resíduos gerados durante os eventos e confraternizações da Copa. Para quem prefere bebidas destiladas ou drinks, levar o próprio canudo reutilizável também é uma alternativa simples para tornar a comemoração mais sustentável.

Além dos benefícios ambientais, a reciclagem tem impacto direto na geração de renda e inclusão social Foto SOLOS/Divulgação
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Reciclagem também gera renda
Saville Alves destaca ainda que, além dos benefícios ambientais, a reciclagem tem impacto direto na geração de renda e inclusão social. “Recentemente, a SOLOS alcançou o marco de R$10 milhões em renda gerada para catadores e cooperativas em diferentes regiões do Brasil”, revela a CEO.
Outro exemplo, de acordo com a empreendedora, foi o Carnaval de Salvador de 2026, que entrou para o Guinness World Records após registrar a maior ação de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo em uma festa popular, com mais de 46 toneladas coletadas.
“Torcer pela seleção é importante, mas podemos aproveitar esse momento para adotar hábitos que gerem impactos positivos para as cidades, para o meio ambiente e para milhares de famílias que vivem da reciclagem. Essa é uma vitória que todos podemos conquistar juntos”, acredita Saville.

Saville Alves : “Podemos aproveitar a Copa do Mundo esse momento para adotar hábitos que gerem impactos positivos para as cidades, para o meio ambiente e para milhares de famílias que vivem da reciclagem” Foto Tayse Argolo Fotografia/SOLOS/Divulgação
Inovação em resíduos
A CEO explica que a SOLOS é uma startup de impacto que atua junto a territórios e marcas para apoiá-los na superação dos desafios relacionados à economia circular. “Por meio de sistemas inteligentes, conteúdos e experiência e reciclagem em grandes eventos, a startup promove o descarte correto de embalagens pós-consumo, melhorando a vida de todos: dos catadores às tartarugas marinhas”, enfatiza a especialista.
Segundo Saville, em nove anos, a empresa já realizou parcerias com marcas como Ambev, Braskem, iFood, Nubank e Coca-Cola e coletou mais de 2 mil toneladas de resíduos, gerando R$10 milhões em renda para os catadores.
Fonte: SOLOS www.alimentesolos.com.br
Foto abertura: Durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, estima-se que cerca de 320 toneladas de resíduos foram geradas apenas nos estádios ao longo dos 64 jogos Foto Prefeitura de Cuiabá/Divulgação








