Estudos de reflorestamento desenvolvidos, desde 2014, pela Companhia de Saneamento do Paraná mostraram sucesso na adoção da técnica. Recuperação da vegetação ao redor dos mananciais é essencial para garantir a disponibildade de água (Foto: André Thiago/Sanepar)
Uma estratégia que combina o plantio de espécies de crescimento rápido e lento vem apresentando resultados positivos na recuperação de áreas degradadas e na restauração de ecossistemas.
A técnica, desenvolvida em pesquisas conduzidas pela Sanepar no entorno do Reservatório Piraquara II, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, mostrou que a sucessão ecológica pode ser acelerada quando diferentes espécies são utilizadas de forma complementar.
Os experimentos fazem parte de estudos iniciados em 2014 em 25 hectares de sítios experimentais e incluem ainda o uso de biomassa de plantas aquáticas para enriquecimento do solo, diferentes níveis de correção da terra e manejo integrado com monitoramento ambiental para controle de espécies invasoras.
Segundo o engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer, a recuperação da vegetação ao redor dos mananciais é essencial para garantir a segurança hídrica.
“Sem vegetação, ocorre a erosão do solo e, consequentemente, o assoreamento da barragem, o que reduz sua vida útil, impacta a qualidade da água e a quantidade da reservação”, explica.
Estratégia que deu certo

Engenheiro florestal da área de Pesquisa da Sanepar, Maurício Bergamini Scheer, explica que, à medida que as primeiras espécies se estabelecem, criam sombra, aumentam a umidade e fornecem matéria orgânica, favorecendo o desenvolvimento das demais espécies. Foto: André Thiago/Sanepar
Na prática, a estratégia adotada consiste em plantar espécies pioneiras, que crescem rapidamente, ao lado de árvores de desenvolvimento mais lento.
À medida que as primeiras se estabelecem, criam sombra, aumentam a umidade e fornecem matéria orgânica por meio da queda de folhas, favorecendo o desenvolvimento das demais espécies e a regeneração natural do ambiente.
Nas áreas degradadas do Piraquara II, por exemplo, foram implantadas linhas de bracatinga, de rápido crescimento, intercaladas com espécies como araçá, cedro e araucária.
“Auxiliamos a natureza a fazer o seu papel. Aqui, temos de cinco a dez espécies por metro quadrado, com plântulas que vieram naturalmente, dispersadas por pássaros e pequenos mamíferos”, diz Scheer.
Dinâmica da natureza

Recuperação do entorno do Reservatório Miringuava, onde foram plantadas 250 mil mudas de árvores nativas. Foto: André Thiago/Sanepar
O pesquisador destaca que o processo de restauração acompanha a dinâmica natural dos ecossistemas.
“No início da sucessão ecológica, a área degradada se transforma em uma capoeira (vegetação secundária inicial). Após dez, 15 anos, evolui para um capoeirão (estágio intermediário de sucessão) e, dependendo do nível de degradação, após 30 ou 40 anos, o capoeirão se transforma gradativamente em uma floresta secundária jovem”, destaca.
“Ao longo desse processo, espécies diferentes vão dominar o terreno, melhorar as condições locais e fixar o carbono atmosférico, mitigando gases de efeito estufa”, acrescenta.
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Plantas aquáticas
Outra frente de pesquisa testou o aproveitamento da biomassa de plantas aquáticas retiradas do próprio reservatório para recuperação de solos degradados.
Após um ano de aplicação, os estudos apontaram maior crescimento da vegetação, aumento da cobertura do solo e maior riqueza e diversidade de espécies vegetais, além de oferecer uma destinação ambientalmente adequada para o excesso dessas plantas.
As experiências bem-sucedidas serviram de base para ações em outras áreas da companhia, como a recuperação do entorno do Reservatório Miringuava, onde foram plantadas 250 mil mudas de árvores nativas.
Os resultados também deram origem a publicações científicas e pesquisas desenvolvidas em parceria com universidades, reforçando o potencial de técnicas baseadas na sucessão ecológica para restaurar áreas degradadas e proteger os recursos hídricos.








