Pesquisa tem como foco a regeneração de solos e a captura de carbono (Foto: masvill/Pixabay)
Uma pesquisa desenvolvida no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), em parceria com a Shell Brasil, Unesp, as deep techs MOF TECH e Quanticum e a Novamérica, com recursos advindos da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), da ANP, resultou em uma patente inédita com potencial para transformar a agricultura tropical e contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Tecnologia tem potencial para contribuir para a recuperação de cerca de 150 milhões de hectares de solos degradados no país. Foto: pixellabs/Pixabay
Baseada em uma tecnologia reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2025, a tecnologia tem potencial para contribuir para a recuperação de cerca de 150 milhões de hectares de solos degradados no país, ampliando a produtividade agrícola sem a necessidade de abertura de novas áreas de cultivo. O impacto é direto na segurança alimentar, considerando a meta brasileira de aumentar a produção brasileira em 40% até 2050 sem expansão agrícola ou desmatamento. A inovação também pode reduzir a dependência de insumos agrícolas importados e abrir oportunidades para a geração de créditos de carbono.
“Somos pioneiros globais na utilização de estruturas metal-orgânicas (MOFs) para regenerar solos tropicais, produzidos por meio de uma rota mecanoquímica limpa, provando que o Brasil está na vanguarda da pesquisa dessa tecnologia. A inovação está em combinar química de materiais avançados com ciência do solo tropical”, explica a professora do Instituto de Química da USP e coordenadora do projeto, Liane Rossi. “O material desenvolvido reproduz mecanismos naturais de retenção e liberação de nutrientes, mas com controle químico e ajustável para cada tipo de solo. É um fertilizante inteligente que regenera o solo e reduz emissões”, acrescenta.
LEIA TAMBÉM:
→Projeto da Embrapa visa antecipar e monitorar riscos climáticos na agricultura brasileira
Resultado
A nova tecnologia deu origem a um fertilizante inteligente capaz de melhorar a saúde dos solos, aumentar a produtividade agrícola e reduzir as emissões de CO₂ associadas às atividades no campo. O processo de produção do material – ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, com foco na viabilidade comercial – segue os princípios da química verde, com uso mínimo de água e sem geração de resíduos, uma vez que todo o material produzido é incorporado ao solo. O método reduz em cerca de 70% o custo de produção de MOFs em comparação com técnicas convencionais.

Estudos mostraram que o uso do produto melhora o desenvolvimento das plantas, tornando o solo mais saudável e reduzindo impactos ambientais. Foto: jatinderjeetu/Pixabay
Os solos tropicais brasileiros apresentam desafios como acidez, baixa retenção de nutrientes e degradação da matéria orgânica. Nesse contexto, as nanopartículas de MOFs atuam como minerais sintéticos regenerativos, promovendo a recuperação da estrutura do solo, ampliando a capacidade de armazenamento de carbono e restabelecendo funções ambientais essenciais. Os estudos mostraram que o uso do produto melhora claramente o desenvolvimento das plantas, tornando o solo mais saudável e reduzindo impactos ambientais, além de fortalecer a resistência das culturas a doenças.
“Testamos o material em condições de casa de vegetação e campo nas principais culturas do agronegócio brasileiro e verificamos que a tecnologia entrega ganhos em produtividade, aumento do carbono no solo e redução de emissões de CO₂. Além disso, conseguimos avançar significativamente na redução de custos de produção do material, o que indica a viabilidade econômica. Estamos falando de uma solução com potencial concreto de impacto para o produtor e para o clima”, afirma a líder de projetos pela Shell Brasil, Barbara Samartini.
Além dos experimentos em ambiente controlado, a tecnologia foi testada em lavouras comerciais de cana-de-açúcar, soja e café, com resultados consistentes. Já validada em escala de quilogramas, a solução agora avança para a etapa de ampliação industrial, com potencial para produzir toneladas do material e acelerar sua aplicação comercial.








