Estrutura permitirá a produção local de vespas do gênero Trichogramma, utilizadas no combate natural a pragas agrícolas (Foto: Acervo LEA/UFC)
A implantação de uma biofábrica de insetos para controle biológico em Goianá, na Zona da Mata de Minas Gerais, representa um passo para ampliar o acesso dos agricultores familiares a tecnologias de manejo sustentável de pragas e reduzir entraves logísticos que dificultavam o uso desses agentes nas lavouras de milho e hortaliças.
Resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Goianá, Embrapa Milho e Sorgo, Emater-MG, Grupo de Estudos da Agricultura Familiar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a estrutura permitirá a produção local de vespas do gênero Trichogramma, utilizadas no combate natural a pragas agrícolas.
Segundo Vinícius Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, o principal objetivo do projeto é superar obstáculos que limitavam a adoção do controle biológico pelos produtores da região.
“O projeto nasce para resolver um gargalo logístico e financeiro crucial para os produtores locais de milho e hortaliças: o acesso ao controle biológico”, explica.
“Antes da biofábrica, as vespinhas do gênero Trichogramma – utilizadas para o manejo natural de pragas – vinham pelos Correios. Qualquer atraso na entrega colocava em risco a lavoura. Agora, com a produção local, os agricultores ganham autonomia, reduzem os custos de produção e diminuem drasticamente a dependência de inseticidas químicos”, acrescenta Guimarães.
Menor impacto ambiental

As vespas do Trichogramma são muito pequenas, com cerca de um milímetro de comprimento, quase invisíveis a olho nu. Foto: Viktor Braga/UFC
A iniciativa também busca fortalecer a difusão de práticas agrícolas de menor impacto ambiental ao disponibilizar uma alternativa ao controle químico convencional, aproximando a pesquisa científica das demandas dos produtores rurais.
De acordo com Guimarães, a criação da biofábrica foi construída de forma colaborativa e contou com o trabalho de pesquisadores que desenvolveram e validaram a tecnologia junto aos agricultores.
“No coração dessa trajetória estão o pesquisador Ivan Cruz e o engenheiro agrônomo Luciano Cordoval de Barros (recém-aposentados), descritos pelas lideranças locais como os verdadeiros ‘esteios’ do projeto, responsáveis por provar, na prática, que a ciência é capaz de transformar vidas no campo”, disse Guimarães.
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Exemplo de produção de larvas do hospedeiro do Trichogramma, criadas em caixas de papelão no Laboratório de Entomologia Aplicada da Universidade Federal do Ceará. (UFC). Foto: Viktor Braga/UFC
O modelo desenvolvido em Goianá poderá servir de referência para outras regiões do estado.
Segundo Filipe Russo, secretário de Agricultura, Pecuária, Meio Ambiente e Segurança Alimentar do município, há expectativa de expansão da experiência para Porteirinha, no Norte de Minas Gerais.
“A biofábrica é mais do que uma estrutura física. Ela representa um marco para a agrobiodiversidade regional e é o resultado de uma demanda que partiu da base, os produtores e extensionistas da Zona da Mata”, afirmou Russo.
A estratégia também conta com o apoio do Projeto Crioulo, voltado à preservação de sementes tradicionais e ao fortalecimento da agricultura regional. Na avaliação de Vinícius Guimarães, a produção local de agentes biológicos pode consolidar um novo modelo de desenvolvimento para a agricultura familiar.
“Com a biofábrica em funcionamento, a Zona da Mata Mineira se posiciona como uma referência em transição ecológica para a agricultura familiar, mostrando que o futuro do campo se constrói com preservação ambiental, economia para o bolso do produtor e ciência de ponta”.
Fonte: Embrapa








