A montadora iniciou testes com caminhões abastecidos com B100 — biodiesel 100% renovável, produzido a partir de soja (Foto: Divulgação)
Em um movimento que reforça a integração entre indústria e agronegócio, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) deu mais um passo na corrida pela descarbonização do transporte pesado no Brasil.
Em parceria com a Amaggi, maior produtora brasileira de grãos e fibras, a montadora iniciou testes com caminhões abastecidos com B100 — biodiesel 100% renovável, produzido a partir de soja.
A iniciativa coloca no centro da estratégia um ativo abundante no país: a produção agrícola. Durante 12 meses, um caminhão Meteor 29.530 Highline 6×4 percorrerá rotas logísticas do Centro-Oeste ao Norte, replicando a operação real de transporte de grãos da AMAGGI.
O trajeto liga Sinop e Matupá, no Mato Grosso, até o terminal de Miritituba, no Pará, um dos principais corredores de escoamento da safra brasileira.
O teste trata-se de uma operação de alta exigência, com composições de nove eixos, como rodotrem e bitrenzão, e rodagem mensal entre 8 mil e 10 mil quilômetros.
O objetivo é avaliar o desempenho do B100 em condições severas: consumo, manutenção, desgaste de peças e confiabilidade no dia a dia.
Produzido integralmente a partir da soja cultivada pela própria Amaggi, o combustível reforça o conceito de integração vertical, da lavoura ao tanque.
A empresa já utiliza biodiesel puro em parte de sua frota e vê na parceria com a VWCO uma oportunidade de ampliar escala e validar tecnicamente o uso do B100.
“Já fazemos uso do biodiesel puro em parte da nossa frota e agora daremos início ao teste com um caminhão em parceria com a VWCO”, esclarece Claudinei Zenatti, diretor de Logística e Operações da produtora de soja.
Esperamos que o resultado desse teste seja positivo, dada a importância estratégica da substituição do diesel por um combustível renovável e menos poluente para a autossuficiência energética do Brasil”, completa.
O combustível utilizado nos testes é produzido em uma única unidade da empresa, localizada em Lucas do Rio Verde (MT), garantindo padronização e controle de qualidade ao longo de toda a operação.
O veículo também passa por adequações técnicas específicas e será monitorado continuamente pelas equipes das duas companhias.
Para a VWCO, a iniciativa se insere no Programa Futuro, voltado ao desenvolvimento de soluções sustentáveis para o transporte.
“Ao avançarmos nos testes com biodiesel 100%, buscamos validar uma rota efetiva de descarbonização, aprimorando o desempenho, a eficiência e a confiabilidade operacional de nossos veículos”, afirma Rodrigo Chaves, vice-presidente de Engenharia da VWCO.
Estudos de entidades como ANP, Abiove e EPE indicam que o biodiesel de origem vegetal pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel fóssil — um dado que reforça o potencial do combustível na agenda climática.
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Resultados práticos ganham escala
Em outra frente, a VWCO e a EcoRodovias já acumulam resultados concretos com o uso de B100.
Em cinco meses, a frota da concessionária Ecovias Noroeste Paulista rodou 100 mil quilômetros exclusivamente com biodiesel, mantendo disponibilidade técnica superior a 95% e sem intercorrências operacionais relevantes.
O projeto envolve diferentes aplicações de guinchos a caminhões-pipa, e deve completar um ano de operação assistida até agosto.
A experiência indica que o B100 pode ser adotado de forma imediata, sem comprometer eficiência ou segurança.
Para Monica Jaén, diretora de sustentabilidade da EcoRodovias, o desempenho reforça o papel da infraestrutura logística na transição energética.
“Alcançar 100 mil quilômetros com disponibilidade acima de 95% demonstra que é possível reduzir emissões de forma imediata, mantendo eficiência e segurança operacional. A partir disso, podemos começar a pensar em expandir a solução na própria concessionária e em outras operações do grupo”, afirma.
A avaliação da montadora segue na mesma linha. Segundo Rodrigo Chaves, os dados apontam desempenho consistente e confiabilidade mecânica, reforçando o potencial do biodiesel como alternativa viável para o transporte pesado.
Fonte: Volkswagen








