Com mudanças no status sanitário do país, especialista reforça a importância do manejo preventivo, da vermifugação e da vacinação para sustentar produtividade e rentabilidade no campo (Foto: Divulgação Zoetis)
A pecuária brasileira se encontra em um momento de transformação. O Brasil abriga um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com 238,2 milhões de cabeças, e se destaca globalmente pela qualidade e escala de sua produção. Nesse contexto, o setor avança impulsionado por ganhos de eficiência, evolução tecnológica e pela crescente importância da sanidade animal como pilar para sustentar produtividade, competitividade e segurança alimentar.
Diante desse cenário, a sanidade animal passa a ocupar um papel ainda mais estratégico dentro dos sistemas produtivos. A recente retirada da obrigatoriedade da vacinação contra a febre aftosa, embora represente um avanço no status sanitário do país, também traz novos desafios ao manejo nas propriedades. A mudança tem impactado o comportamento de parte dos pecuaristas, levando à redução de práticas regulares de manejo sanitário — o que pode comprometer indicadores produtivos e a sustentabilidade das operações.
“A sanidade sempre foi um dos pilares da pecuária eficiente, mas agora ela se torna ainda mais crítica. A retirada da vacinação contra aftosa não elimina os riscos sanitários dentro da propriedade. Pelo contrário, exige um olhar mais atento e uma rotina estruturada de manejo preventivo”, afirma a zootecnista Janaina Giordani.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos bovinos do mundo. Foto: Divulgação Zoetis
Entre os principais pontos de atenção estão o controle de parasitas e a prevenção de doenças que impactam diretamente o desempenho dos animais. A vermifugação estratégica e os protocolos de vacinação continuam sendo ferramentas essenciais para garantir ganho de peso, eficiência alimentar e bem-estar animal.
Estudos do setor indicam que infestações parasitárias podem reduzir significativamente o potencial produtivo do rebanho, afetando desde a conversão alimentar até a taxa de prenhez. Foi comprovado que os parasitas internos (vermes) e externos, causam prejuízos próximos a R$ 70 bilhões por ano no Brasil, reforçando a importância de um controle sanitário eficiente.
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Estratégias de mitigação de riscos
Uma das abordagens que vêm ganhando destaque no campo é o controle estratégico de verminoses do protocolo 5-8-11, que orienta o produtor sobre momentos-chave para a realização da vermifugação. Essa abordagem recomenda a aplicação de vermífugos em três períodos-chave do ano – maio (5), agosto (8) e novembro (11). Estudos mostram que, em propriedades que seguem esse calendário, os animais podem apresentar ganho de até 20 kg, graças à redução eficaz da carga parasitária. Com a entrada do período seco a partir de maio, este é um momento crítico para o controle parasitário.

A adoção de práticas sanitárias consistentes será determinante para sustentar o crescimento da pecuária e garantir sua competitividade nos próximos anos. Foto: Divulgação Zoetis
“A adoção de uma rotina bem estruturada, com manejos definidos e um calendário sanitário claro ao longo do ano é fundamental para que o produtor tenha mais controle sobre os desafios sanitários e tome decisões baseadas em dados e evidências. Protocolos como o 5-8-11 entram como aliados dentro dessa estratégia, contribuindo diretamente para ganhos de produtividade e rentabilidade”, explica Janaina.
Com um dos maiores rebanhos do mundo e papel central no abastecimento global de carne bovina, o Brasil segue como referência internacional. Nesse contexto, a adoção de práticas sanitárias consistentes será determinante para sustentar o crescimento do setor e garantir sua competitividade nos próximos anos.








