Mais do que capturar peixes, a atividade reúne aventura, contato com a natureza e experiências autênticas em comunidades ribeirinhas e regiões rurais (Foto: Goiás Turismo)
Por muito tempo associada apenas à subsistência ou ao lazer ocasional, a pesca tornou-se também um importante motor do turismo rural no Brasil.
Com uma das maiores redes hidrográficas do planeta, biodiversidade abundante e paisagens que vão da Amazônia ao Pantanal e do litoral ao interior do país, o turismo de pesca vive uma fase de expansão e se consolida como um dos segmentos mais promissores do setor turístico nacional.
Mais do que capturar peixes, a atividade reúne aventura, contato com a natureza e experiências autênticas em comunidades ribeirinhas e regiões rurais.
Milhões de brasileiros e estrangeiros realizam anualmente viagens dedicadas à pesca recreativa, movimentando economias locais e estimulando práticas de turismo sustentável.
Em 2025, o Ministério do Turismo divulgou a 12ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo de Pesca. O documento apresenta um panorama inédito da oferta turística voltada à pesca esportiva, revelando destinos, práticas e oportunidades que fazem do Brasil um dos destaques mundiais no segmento.
No boletim, o leitor encontrará os principais destinos de pesca esportiva no país e as espécies mais procuradas, além de eventos, campeonatos e boas práticas para uma pesca responsável.
Um setor que gera renda e empregos
A pesca esportiva e recreativa envolve uma cadeia produtiva ampla. Segundo dados do Ministério do Turismo e do Ministério da Pesca e Aquicultura, o Brasil conta com cerca de 9 milhões de pescadores, além de aproximadamente 3 mil pesqueiros, 1.700 meios de hospedagem especializados e cerca de 500 campeonatos de pesca realizados todos os anos.
Esse ecossistema gera mais de 200 mil empregos diretos e indiretos, incluindo guias de pesca, operadores turísticos, hotéis, restaurantes, fabricantes de equipamentos e serviços de transporte.
O impacto econômico também é expressivo. Estimativas indicam que o turismo de pesca movimenta ao menos R$ 1 bilhão por ano no país — valor que pode ser ainda maior se consideradas atividades complementares, como hospedagem, gastronomia regional e passeios ecológicos.
Um país privilegiado para a pesca esportiva
A diversidade de ambientes naturais faz do Brasil um destino cobiçado por pescadores do mundo inteiro.
- Amazonas: considerado o berço do tucunaré-açu, uma das espécies de peixe mais procuradas do mundo, o estado tem como principal atrativo a cidade de Barcelos, no Polo do Rio Negro.

O Amazonas detém vários recordes mundiais de comprimento de tucunaré-açu e se destaca por ser banhado pela maior bacia hidrográfica do mundo. Foto: Divulgação/Amazonastur
- Mato Grosso do Sul: o Pantanal, mundialmente famoso por sua riqueza natural, é o grande destaque. Espécies como dourado, pintado e pacu atraem pescadores a cidades como Corumbá, porta de entrada para a região.
- Mato Grosso: unindo a grandiosidade do Pantanal com a Bacia Amazônica, o estado é rico em espécies como tucunaré e dourado e sedia o maior festival de pesca do mundo, o Festival Internacional de Pesca Esportiva (FIPE), em Cáceres.
- Goiás: o destino, cada vez mais popular, é conhecido pelo imponente Rio Araguaia e por grandes lagos, como o da Serra da Mesa, os dois repletos de piraíbas, pirararas e tucunarés.

Grupos de amigos, famílias e amantes da pesca têm no Mato Grosso do Sul o destino ideal para se divertir na bacia do Rio Paraná. Foto: Fundação MS Turismo
- Tocantins: com os rios Tocantins e Araguaia, o estado se tornou um local em ascensão para a pesca de gigantes, como o tucunaré azul e o pirarucu, com eventos importantes sediados na sua capital, a cidade de Palmas.
- Bahia: reconhecida internacionalmente, a Costa Atlântica do estado está entre os melhores pontos de pesca oceânica do mundo, especialmente na região de Canavieiras, famosa pela pesca de peixes de bico, como o marlilm.
- São Paulo: com uma forte comunidade de pesca, o estado oferece uma enorme variedade de cenários nos rios Tietê e Paraná, além de represas cheias de tucunarés, dourados e corvinas.
- Pará: o estado apresenta vastas áreas para pesca na Bacia Amazônica, com destaque para o icônico Lago de Tucuruí, um dos lugares mais emblemáticos para a pesca de grandes tucunarés. Na Ilha do Marajó se destaca como a maior ilha fluviomarítima do planeta e um dos destinos mais singulares para a pesca no Brasil. A prática é tradicional na região e envolve espécies como pirarucu, tucunaré, tambaqui, dourada, filhote e pintado, especialmente durante a estação seca, entre maio e novembro.

A região continental do Pará possui o tucunaré, trairão, os peixes de couro em distintos rios. Foto: Setur/Pará
- Minas Gerais: o estado se destaca pela forte cena de torneios e competições em seus lagos e represas, atraindo pescadores de todo o Brasil para eventos em cidades como Três Marias e Iturama.
- Santa Catarina: com um litoral rico e rios serranos, o estado é uma referência na pesca de espécies como o robalo, atraindo pescadores para eventos especializados como o Robalo Master Brasil, em Ararangu
- Paraná: No Oeste do Paraná, Guaíra se consolida como um dos principais polos de pesca esportiva e ecoturismo do Sul do país. Conhecida como o berço das lendárias Sete Quedas — submersas com a construção da Usina de Itaipu —, a cidade combina história, cultura indígena guarani, influência jesuítica e paisagens marcadas pela imponência do Rio Paraná, o nono mais longo do mundo. Outra opção é A Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, no Sudoeste do Estado.

Pesca esportiva na Represa do Baixo Iguaçu incentiva turismo náutico no Paraná. Foto: SEDEST
Pesqueiros e o modelo “pesque e pague”
Além dos destinos naturais, o turismo de pesca também cresce em áreas rurais com os chamados pesqueiros — espaços estruturados para a prática da pesca recreativa.
Muito populares no interior do país, esses empreendimentos funcionam no modelo “pesque e pague”: o visitante pesca em lagos artificiais e paga pelo peixe que decide levar para casa. Espécies como tilápia, pacu, carpa, tambaqui e bagre estão entre as mais comuns.
Os pesqueiros também se tornaram locais de convivência familiar. Muitos oferecem restaurantes, áreas de lazer, parquinhos e até piscinas, transformando a pescaria em um passeio completo.
LEIA TAMBÉM:
Da pesca artesanal para a sua mesa
A maré está para peixe: startup quer estimular consumo de pescado no Brasil
A força do “pesque e solte”
Paralelamente, cresce entre os pescadores a prática do pesque e solte, na qual o peixe é capturado, fotografado e devolvido ao ambiente natural. Essa modalidade é considerada fundamental para a preservação das espécies e para a sustentabilidade da atividade.
Para garantir a sobrevivência dos peixes, os pescadores devem seguir boas práticas, como utilizar anzóis sem farpa, manter as mãos molhadas ao manusear o animal e evitar segurá-lo pelas guelras.
A pesca amadora também exige licença emitida pelo governo federal ou pelos estados, além do respeito ao período de defeso, quando determinadas espécies não podem ser pescadas para garantir sua reprodução.

A pesca no Rio Jamari, em Rondônia, oferece capturas de espécies nativas como Jatuarana, Mandi, Matrinxã e Cajuzinha, incluindo até mesmo um torneio anual que reúne diversos praticantes da atividade. Foto: Governo de Rondônia
Experiência que vai além do peixe
Para muitos turistas, o verdadeiro valor da pesca não está apenas na captura, mas na experiência em si. A atividade proporciona momentos de emoção, contemplação da natureza e convivência em cenários únicos — seja à beira de um rio, em um lago tranquilo ou em alto-mar.
Essa combinação de natureza, aventura e cultura local faz do turismo de pesca uma porta de entrada para o desenvolvimento sustentável de regiões rurais e comunidades ribeirinhas.
Com planejamento adequado, infraestrutura turística e respeito ao meio ambiente, o Brasil tem tudo para consolidar sua posição como um dos maiores destinos de pesca esportiva do mundo — e transformar cada pescaria em uma experiência inesquecível.












