Turismo rural gera novas oportunidades de renda para pequenos produtores de Minas Gerais
O que antes era apenas uma rotina para quem vive no campo, se tornou também uma experiência para quem vem de fora.
Atividades da roça, como a ordenha feita nas primeiras horas do dia, comida no fogão a lenha, o cheiro da cana sendo moída no alambique e histórias que atravessam gerações podem ser vivenciadas por quem deseja conhecer e usufruir do dia a dia de uma propriedade rural.
No interior de Minas Gerais, por exemplo, muitas delas têm, cada vez mais, se transformado em destinos turísticos.

A Cachaça Morro Grande abriu seu alambique para visitação e transformou uma tradição familiar em atrativo turístico Emater-MG/Divulgação
Queijaria Seu Jorge
Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge traduz bem esse movimento. A propriedade transformou o cotidiano da produção em uma atração para visitantes. Administrada por sete mulheres da mesma família, a queijaria recebe turistas interessados em conhecer o processo de produção do Queijo Minas Artesanal e saborear as delícias encontradas em uma típica cozinha do interior.

Queijo mofo branco Seu Jorge, uma das delícias típica do interior mineiro Emater-MG/Divulgação
“O turista chega da cidade grande com muitas expectativas. É uma troca muito interessante de quem vive no campo com quem vem da cidade. Aqui ele pode acompanhar a ordenha, ver o processo de produção do queijo, que depois será saboreado com café. É uma delícia”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso.
O turismo no local começou de forma espontânea, com o interesse das pessoas durante a pandemia, na busca de experiências fora dos grandes centros. A produtora conta que as visitas também proporcionaram o aumento da venda dos queijos e outros produtos. “Ele vem para conhecer, degusta e acaba gostando. Aí quer levar para ele, para a família ou para um amigo. Leva uma geleia, leva um queijo e outros produtos saborosos e autênticos do campo”, relata Vera Lúcia.
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Assistência técnica
O fortalecimento do setor tem o apoio da Emater-MG, que orienta produtores na estruturação das atividades turísticas. Em 2025, os profissionais da empresa prestaram cerca de 3,4 mil atendimentos em propriedades que investem no turismo rural.
Thatiana Garcia, coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG explica que, além de apoiar a produção, o trabalho dos técnicos da instituição envolve a criação de experiências para o turista. “É entender o que o produtor tem e transformar isso em um produto turístico viável, que gere renda extra”, pontua.
Produção de cachaça
Outro exemplo vem da cidade mineira de São João del-Rei, onde a Cachaça Morro Grande abriu seu alambique para visitação e também transformou uma tradição familiar em atrativo turístico. O produtor José do Carmo Rezende retomou a atividade na aposentadoria e hoje recebe visitantes para apresentar todas as etapas da produção.
“Aqui o turista vai ver todo o processo de produção da cachaça, desde o plantio e a moagem até a degustação. Não é só conhecer o produto pronto para ser consumido”, ressalta.
Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, Rezende destaca que o turismo ajuda a valorizar a cachaça e aumentar as vendas. “É um grande gerador de renda”, afirma.
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Em Tiradentes, a Pousada Campestre Vila Tiradentes aposta na integração entre hospedagem e vivências rurais Foto Hotéis.com/Divulgação
Vivências rurais
Já em Tiradentes, a Pousada Campestre Vila Tiradentes aposta na integração entre hospedagem e vivências rurais. O espaço oferece contato com animais, passeios a cavalo, visita ao alambique e degustação de produtos locais e até uma pista de motocross.
“As pessoas querem fugir da rotina. Aqui o visitante vê os bichos, toma um café, come um queijinho que a gente fabrica, toma a cachaça do nosso alambique”, afirma a proprietária Josiele Darly, que administra o local ao lado do marido, Rodrigo Barbosa
Segundo ele, a procura pelo turismo rural tem crescido. “A aceitação é muito boa. As pessoas estão gostando muito. O turismo rural cresceu demais”, completa.
Catálogo
Para dar visibilidade a essas iniciativas, a Emater-MG lançou a nova edição do catálogo Ruralidade Viva, que reúne 266 propriedades abertas ao turismo em Minas.
A publicação, que pode ser acessada no site www.emater.mg.gov.br, traz informações, fotos e contatos de produtores que oferecem experiências com queijos, cafés, doces e cachaças. “É uma forma de divulgar nosso trabalho e atrair pessoas de outros lugares”, destaca Vera Lúcia Cardoso.








