Análise da StoneX aponta avanço do sulfato de amônio diante de custos mais elevados e incertezas geopolíticas (Foto:Claudio Neves/AENPR)
A disparada recente dos preços da ureia no mercado internacional, combinada à escalada das tensões no Oriente Médio, começa a redesenhar a estratégia de compra de fertilizantes no Brasil.
De acordo com análise da StoneX, o cenário tende a favorecer, novamente, a demanda por produtos de menor concentração, como o sulfato de amônio, ao longo de 2026.
O movimento ocorre em um contexto de forte valorização dos nitrogenados, produzidos a partir do gás natural.
Segundo o relatório semanal da empresa, as cotações CFR da ureia no Brasil avançaram cerca de 35% em apenas duas semanas, representando um salto expressivo, sobretudo por acontecer em um período tradicionalmente marcado por menor ritmo de compras no país.
A alta está diretamente ligada às incertezas geopolíticas no Oriente Médio, região estratégica para a produção e exportação global de fertilizantes nitrogenados. A eclosão de um novo conflito trouxe desafios logísticos e reduziu a oferta internacional, pressionando os preços.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, esse ambiente já começa a alterar o comportamento dos importadores brasileiros.
“Com a valorização acelerada da ureia, os compradores tendem a avaliar novamente a substituição por fertilizantes de menor concentração, como o sulfato de amônio, que pode oferecer condições de aquisição mais favoráveis em determinados momentos”, realça Pernías.
O analista lembra que situação semelhante ocorreu ao longo de 2025, quando a ureia também registrou períodos de preços elevados, dificultando o planejamento de compras no mercado internacional.
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Impacto direto para o produtor brasileiro
Além da dinâmica global, o impacto chega diretamente ao produtor rural brasileiro. Com insumos mais caros e um ambiente de crédito mais restrito, a pressão sobre as margens se intensifica.
“Preços elevados de fertilizantes pressionam os custos de produção. Em um cenário de crédito escasso e de preços agrícolas menos favoráveis, isso pode se tornar um fator relevante para a tomada de decisão dos produtores”, destaca Pernías.
Diante desse cenário, estratégias de redução de custos voltam a ganhar espaço. Em 2025, muitos compradores já haviam ampliado a aquisição de fertilizantes menos concentrados como alternativa para equilibrar o orçamento — movimento que agora começa a se repetir.
Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Nos dois primeiros meses de 2026, as importações brasileiras de ureia caíram quase 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em sentido oposto, as compras externas de sulfato de amônio cresceram 19% na mesma base de comparação.
A avaliação da StoneX é que o agravamento das tensões no Oriente Médio pode intensificar ainda mais esse deslocamento de demanda. Como a região concentra alguns dos maiores produtores globais de ureia, qualquer nova restrição logística ou produtiva tende a sustentar os preços em níveis elevados.
“Caso o conflito gere novas restrições logísticas ou produtivas na região, a tendência é que a ureia siga pressionada no mercado internacional. Nesse cenário, a busca por fertilizantes com melhor relação de custo pode ganhar ainda mais força entre os importadores brasileiros”, conclui Pernías.








