Visita de Geraldo Alckmin ao país vizinho reforça comércio bilateral e amplia cooperação no agro e em biocombustíveis (Foto: MDIC)
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encerrou nesta quinta-feira (28) uma missão oficial de dois dias ao México com resultados considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro. O ponto alto da visita foi o encontro com a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional, na Cidade do México.
“Convidei a presidenta Claudia para a COP30, em Belém, no mês de novembro. Falamos de multilateralismo, fortalecimento da democracia, inclusão e combate à fome. Então, foi uma conversa muito proveitosa”, afirmou Alckmin em entrevista coletiva antes de embarcar de volta a Brasília.
Brasil e México, as duas maiores economias da América Latina, registraram uma corrente de comércio de US$ 13,6 bilhões em 2024. A meta agora é elevar o fluxo com novos produtos e maior integração entre cadeias produtivas.
Novos mercados no agro
Acompanhado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e por empresários brasileiros, Alckmin anunciou a abertura de mercados bilaterais.
“São três produtos que o Brasil abrirá o comércio: aspargos, pêssego e derivados de atum. E eles abrem o mercado para a farinha de ração animal para bovinos e suínos“, destacou o vice-presidente.
O avanço atende a uma demanda antiga do setor produtivo e amplia as oportunidades de exportação, especialmente para frutas frescas e insumos destinados à pecuária.
Carne bovina e o Pacic
Outro ponto central da negociação foi a continuidade do Pacote contra a Inflação e a Escassez (Pacic), programa mexicano que facilita a importação de alimentos. O Brasil é o segundo maior fornecedor de carne bovina ao México.
“O México é o segundo destino da carne bovina brasileira. Solicitamos a continuidade do Pacic, e ele complementa a agropecuária mexicana. Eles têm uma exigência de que haja uma rastreabilidade individual [da carne]. Vamos cumprir, mas queremos que não se interrompa essa venda enquanto o Brasil caminha na rastreabilidade. O Brasil cumprirá na rastreabilidade, temos um cronograma”, disse Alckmin.
Biocombustíveis e energia limpa
A missão também abriu caminho para uma nova etapa de cooperação energética. Brasil e México assinaram memorandos de entendimento para fortalecer a produção de etanol de cana-de-açúcar, desenvolver combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e transporte marítimo, além de estimular projetos de captura e armazenamento de carbono a partir da bioenergia (BECCS).
O acordo prevê intercâmbio de tecnologias, equipamentos e metodologias, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento da indústria de biocombustíveis nos dois países.
“Quero destacar a importância do que acabamos de assinar. A importância social, que significa emprego, renda, novas oportunidades, vida digna para a população; a importância econômica, investimentos, crescimento do setor produtivo; importância científica e tecnológica, novas formas tecnológicas para a descarbonização; a importância ambiental”, ressaltou o vice-presidente.
LEIA TAMBÉM:
SNA e SNASH participarão de seminário na China a convite do Ministério da Agricultura daquele país
Brasil e Japão avançam em acordos para carne e etanol brasileiros
Cooperação agrícola ampliada
Na área agrícola, Fávaro e o secretário mexicano Julio Sacristán assinaram um memorando para cooperação em produção agrícola e pecuária. O acordo inclui apoio técnico a pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, pesquisa, inovação tecnológica, financiamento e seguro rural, além de medidas que facilitem a comercialização de produtos agrícolas.
A expectativa é que as medidas fortaleçam a integração das cadeias produtivas e criem novas oportunidades tanto para exportadores brasileiros quanto para o agronegócio mexicano.