Inseto pode causar perdas expressivas de produtividade e desafia produtores pela dificuldade de controle nos canaviais do Centro-Sul do Brasil (Foto: Divulgação)
Considerada uma das pragas mais preocupantes da cana-de-açúcar, o Sphenophorus levis, conhecido como bicudo-da-cana, segue desafiando produtores em importantes regiões canavieiras do Centro-Sul do Brasil, principalmente nos períodos mais secos do ano. Com comportamento silencioso e difícil controle, a praga compromete diretamente a produtividade e a longevidade dos canaviais ao atacar o sistema radicular da planta.
As larvas do inseto broqueiam os rizomas da cana, provocando a morte de perfilhos e, em casos mais severos, de toda a touceira. O impacto é significativo no desenvolvimento da cultura, reduzindo a produtividade do canavial e aumentando os custos de manejo da lavoura.

O bicudo-da-cana é um dos principais desafios para os produtores em importantes regiões canavieiras do Centro-Sul do Brasil, principalmente nos períodos mais secos do ano. Foto: Kerolainy/Pixabay
Segundo especialistas do setor, um dos principais desafios no manejo do Sphenophorus levis está relacionado ao seu ciclo biológico. Grande parte da vida do inseto (ovos, larvas e pupas) ocorre protegida na região subterrânea das touceiras. Os adultos representam o único estágio encontrado fora das touceiras, mas permanecem escondidos entre colmos caídos, sob torrões ou até mesmo no interior das galerias abertas pelas larvas, podendo gerar de quatro a cinco gerações por ano.
“O Sphenophorus é hoje uma das pragas mais complexas dos canaviais justamente pela dificuldade de controle e pelo impacto econômico que provoca, podendo ocasionar perdas de até 25 toneladas de cana-de-açúcar por hectare ao ano. Muitas vezes, o produtor percebe os danos apenas quando já existe comprometimento importante na lavoura”, explica o engenheiro agrônomo, Michel Tomazela.
Manejo preventivo é essencial no controle de pragas
Diante desse cenário, o manejo preventivo se torna fundamental para evitar a disseminação da praga. Entre as principais recomendações estão o uso de mudas sadias, limpeza adequada de máquinas e implementos agrícolas após operações em áreas infestadas e adoção de estratégias de vazio sanitário e destruição mecânica da soqueira em áreas com alta infestação.
Segundo Tomazela, o inseto não possui capacidade de voo, então grande parte da disseminação acontece por meio de mudas infestadas e restos vegetais transportados por máquinas agrícolas. “Por isso, o uso de inseticidas são essenciais para o manejo da praga, especialmente quando associados ao monitoramento constante e a estratégias integradas de manejo”, destaca.

O monitoramento constante dos canaviais é crucial para identificar precocemente os danos causados pela praga e definir estratégias mais eficientes de manejo. Foto: Kerolainy/Pixabay
O monitoramento constante dos canaviais é crucial para identificar precocemente os danos causados pela praga e definir estratégias mais eficientes de manejo. Em áreas infestadas, o tratamento químico na soqueira e no sulco de plantio continua sendo ferramenta importante para reduzir a população do inseto e preservar o potencial produtivo da lavoura.
“As pragas de solo estão entre os principais desafios da canavicultura moderna porque atacam diretamente a estrutura da planta e comprometem produtividade, longevidade e rentabilidade”, alerta o agrônomo.
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Área tratada com defensivos nos canaviais
De acordo com levantamento realizado pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), a Área Potencial Tratada (PAT) com defensivos agrícolas na cultura da cana-de-açúcar representou cerca de 4% do total em 2025, mantendo participação estável nos últimos anos.
Já o valor de mercado relacionado aos defensivos destinados à cultura alcançou aproximadamente 8% do total movimentado no setor, reforçando a importância da canavicultura no mercado de proteção de cultivos e a crescente demanda por tecnologias voltadas à eficiência agronômica e preservação do potencial produtivo dos canaviais.








