Sebrae Rio abriu inscrições para uma nova edição do ProGlobal, programa voltado à capacitação de pequenas empresas para atuação no mercado externo. As inscrições podem ser feitas até 22 de maio (Foto: Sebrae/Divulgação)
Com o avanço das exportações brasileiras e a crescente demanda internacional por produtos com identidade regional, sustentabilidade e rastreabilidade, o Sebrae Rio abriu inscrições para uma nova edição do ProGlobal, programa voltado à capacitação de pequenas empresas para atuação no mercado externo.
Neste ano, pela primeira vez, a iniciativa terá uma turma exclusiva para o setor de alimentos e bebidas.
O programa disponibiliza 65 vagas e será dividido entre os segmentos de Moda e Alimentos e Bebidas. As inscrições podem ser feitas até 22 de maio pelo site do Sebrae Rio.
“O nosso programa é um diferencial para quem empreende e decide dar um passo tão importante quanto exportar ou importar. Muitos questionamentos tomam conta da cabeça do empreendedor. São legislações diferentes e diferenças culturais”, explica Claudine Bichara, gerente de Negócios Internacionais do Sebrae Rio.
“O empreendedor não pode errar. Por isso acompanhamos o processo de internacionalização e ajudamos a tomar as melhores decisões de mercado para a sua empresa”, completa Bichara.
Pequenos negócios têm muita mais espaço para crescer
A iniciativa surge em meio ao crescimento das exportações brasileiras. Segundo dados do governo federal, o Brasil registrou recorde histórico em 2025, com cerca de US$ 9 bilhões exportados e crescimento de 5,7% em volume. Os pequenos negócios responderam por 40% das empresas exportadoras do país.
Apesar da participação expressiva em número de empresas, a presença dos pequenos negócios ainda é reduzida em valor agregado.
“Quase metade das empresas brasileiras exportam ou fizeram pelo menos uma exportação em 2025. Mas apesar de bastante positivo, quando se olha para o valor dessas exportações, elas representam apenas 1% do total, o que mostra ainda bastante potencial para crescer”, afirma Bruna Jaeger, responsável pela gestão do projeto ProGlobal.
Segundo ela, há espaço para ampliar a participação de pequenos produtores no mercado externo a partir de produtos diferenciados, ligados à “brasilidade”, identidade regional e atributos sustentáveis, com maior valor agregado.
Como funciona o programa
Criado em 2020, o ProGlobal já teve cinco edições anteriores. Até então, o programa atuava de forma multissetorial. Agora, a proposta é aprofundar o atendimento às especificidades do setor de alimentos e bebidas.
“Vai ser uma turma fechada só dentro desse setor, onde a gente consegue trabalhar mais as especificidades dos segmentos, com uma linguagem adapatada e trazendo algo de fato bastante customizado para o setor de alimentos e bebidas e os seus desafios próprios”, afirma Bruna.
O programa atende tanto empresas que já possuem alguma experiência internacional quanto negócios iniciantes. Em ambos os casos, o Sebrae realiza um diagnóstico para avaliar o potencial exportador da empresa e definir mercados-alvo, de maneira individualizada.
“Às vezes, nós mesmos identificamos o potencial dessas empresas e do produto. A gente faz um diagnóstico de internacionalização com essas empresas, percebendo o potencial, o diferencial do seu produto para atingir mercados internacionais”, diz.
A estratégia inclui ainda a diversificação de mercados, vista pelo Sebrae como uma forma de reduzir riscos em um cenário global marcado por instabilidades comerciais e geopolíticas.
Além do planejamento estratégico, o programa trabalha a adequação dos produtos às exigências internacionais, incluindo mudanças em embalagem, rotulagem, branding.
“Tabalhamos questões de agregação de valor via branding, sabor, embalagem, fragrância”, exemplifica Bruna.
As exigências sanitárias e regulatórias também estão no centro da preparação. Segundo a executiva, o setor de alimentos e bebidas exige atenção especial às chamadas barreiras tarifárias e não tarifárias.
O avanço dos acordos comerciais do Mercosul com mercados como Mercosul, União Europeia, EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) e Singapura também é visto como uma oportunidade para pequenos produtores brasileiros ampliarem presença no exterior.
“Isso abre, sim, muita possibilidade para os pequenos negócios do setor de alimentos e bebidas em diferentes mercados, porque justamente carrega um diferencial de brasilidade, de sabor, de ingredientes únicos”, afirma.
O programa tem duração de sete meses e combina oficinas coletivas, seminários e consultorias individuais. Ao final da jornada, os participantes saem com planejamento estratégico de internacionalização, definição de preços para exportação, plano de comunicação internacional, pitch de vendas e estratégia de promoção comercial.

A foodtech Cuíca, que produz uma bebida vegetal a partir de castanha da Amazônia, foi uma das que participou do ProGlobal e da missão do Sebrae na SIAL Paris 2024 – importante feira de alimentos na França. Foto: Divulgação/Sebrae
O Sebrae subsidia 95% do custo do programa. O empreendedor paga R$ 1.500, valor que pode ser parcelado em até 12 vezes. As atividades serão realizadas em formato híbrido, com encontros presenciais e on-line.
O projeto também conta com parcerias, como com a ApexBrasil, em iniciativas como missões internacionais, participação em feiras e rodadas de negócios.
As vagas são voltadas para empresas do setor de alimentos e bebidas sediadas ou com filial no Estado do Rio de Janeiro. Podem participar microempreendedores individuais (MEI), com faturamento anual de até R$ 81 mil; microempresas (ME), com receita anual de até R$ 360 mil; e empresas de pequeno porte (EPP), com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões por ano.
Atributos socioambientais
Entre os temas abordados ao longo da trilha de capacitação estão sustentabilidade, ESG, rastreabilidade e produtos com apelo natural e social — atributos cada vez mais demandados por compradores internacionais.
“A gente trabalha bastante essa questão de sustentabilidade, o diferencial da saudabilidade dos produtos também, clean label, rastreabilidade, ESG, questões de produtos com apelo a questões ambientais e sociais também”, pontua Bruna.
Ela cita como exemplos produtos ligados a histórias familiares ou produção feminina, fatores que podem fortalecer o posicionamento internacional das marcas
“O café produzido por mulheres, a pequena cachaçaria familiar que carrega uma história familiar. Buscamos também trabalhar na comunicação, aquilo que a gente chama de branding, carregar cada vez mais esses atributos únicos da história da empresa.”








