Equipamento também pode ser utilizado em diferentes áreas, como entomologia, silvicultura, estudos de solo, microbiologia e forrageiras, ampliando o potencial de geração de conhecimento no setor agropecuário (Foto: Divulgação/Seapi)
A incorporação de tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) tem avançado no campo brasileiro, e um novo equipamento adquirido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul reforça esse movimento ao trazer mais precisão, rapidez e padronização para a análise de sementes.
O scanner GroundEye, instalado no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), em Santa Maria, representa um salto na forma como dados sobre qualidade fisiológica são obtidos e utilizados no setor agropecuário.
Com investimento de cerca de R$ 177 mil, por meio do projeto estratégico de Descarbonização da Agropecuária, o equipamento se destaca pela capacidade de automatizar e aprofundar análises que antes demandavam mais tempo e intervenção manual.
A principal utilidade está na avaliação do vigor e da germinação de lotes de sementes — parâmetros essenciais para garantir produtividade no campo e eficiência na produção de mudas.
“Com essa ferramenta, pode-se ganhar tempo para se obter dados sobre a qualidade fisiológica da amostra de sementes avaliada”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do Ceflor, Evandro Missio.
Como funciona
O funcionamento do scanner combina captura de imagens em alta resolução com processamento inteligente. Duas câmeras posicionadas acima e abaixo da amostra permitem uma leitura completa da semente, registrando características que vão muito além da observação visual tradicional.
“Após a captura, as imagens são transferidas para um software instalado no computador acoplado ao equipamento. Através deste software, é permitido programar e treinar a IA para efetuar várias medições e determinações de variáveis de interesse num lote de sementes como peso de mil sementes, formato, coloração, espessura, rugosidade, além da medição de comprimento de plântula (planta jovem, recém germinada), obtendo-se mais de 300 informações por objeto”, exemplifica Missio.
Essa capacidade de gerar um grande volume de dados detalhados transforma o processo de análise em uma atividade mais robusta e confiável, reduzindo subjetividades e aumentando a rastreabilidade das informações. Na prática, isso contribui para decisões mais assertivas na seleção de sementes, impactando diretamente a qualidade das lavouras e a eficiência produtiva.
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Ferramenta para pesquisa

a tecnologia tende a elevar a qualidade das mudas utilizadas em projetos de restauração ambiental.. Foto: Divulgação/Seapi
Além da aplicação direta na análise de sementes, o GroundEye também se mostra uma ferramenta versátil para pesquisa científica.
O equipamento pode ser utilizado em diferentes áreas, como entomologia, silvicultura, estudos de solo, microbiologia e forrageiras, ampliando o potencial de geração de conhecimento no setor agropecuário.
Outro impacto relevante está na produção de mudas florestais. Ao permitir uma seleção mais criteriosa e padronizada das sementes, a tecnologia tende a elevar a qualidade das mudas utilizadas em projetos de restauração ambiental.
“Também vai qualificar a produção de mudas de espécies florestais nativas, com sementes mais padronizadas e selecionadas, que vão resultar em mudas mais adequadas para a restauração de mudas nativas”, conclui Missio.








