O regime de chuvas da região e a presença de ácido fosfórico no solo contribuem para a maturação uniforme e lenta dos grãos, resultando em um perfil sensorial próprio, com acidez equilibrada, notas de frutas amarelas e vermelhas (Foto: Edson Denobi/Prefeitura de Apucarana)
O Café da Serra de Apucarana acaba de entrar para o seleto grupo de produtos brasileiros com Indicação Geográfica (IG). O reconhecimento, concedido no início do ano, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), torna o café o 24º produto do Paraná a obter o selo e o segundo do Estado a ser certificado em 2026.
A IG abrange os municípios de Apucarana, Arapongas e Cambira, no Norte do Paraná, região historicamente ligada à cafeicultura.
A certificação foi concedida na modalidade Denominação de Origem (DO), que reconhece produtos cujas características estão diretamente relacionadas ao meio geográfico, incluindo fatores naturais, como clima e solo, e humanos, como técnicas produtivas e saber-fazer local.
No Paraná, apenas outros dois produtos possuem DO: o mel de Ortigueira e o café de Mandaguari.
Além de reforçar a identidade cultural da região, a IG tem impacto direto na economia local. O reconhecimento do Café da Serra de Apucarana vai beneficiar diretamente 250 produtores de café de Apucarana, 50 de Cambira e um de Arapongas, ao agregar valor ao produto e abrir portas para novos mercados.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a conquista consolida o protagonismo do Paraná no segmento de cafés especiais.
“O reconhecimento do Café da Serra de Apucarana com o selo de Indicação Geográfica comprova que a cafeicultura paranaense encontrou o seu caminho através da qualidade”, afirmou.
Segundo ele, o resultado é fruto da combinação entre condições naturais favoráveis e a evolução técnica dos produtores, o que tem ampliado a rentabilidade no campo e fortalecido a imagem do Estado como referência em alimentos de origem certificada.
O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, destaca que a IG chega em um momento estratégico, logo após a região ganhar destaque em concursos estaduais de qualidade do café.
“Esse reconhecimento chega logo após a região ser destaque no concurso estadual de qualidade do café. Na prática, isso significa mais dinheiro no bolso do produtor, garante um padrão de qualidade para o consumidor e gera, também, mais dinheiro para a economia do município. É uma conquista que beneficia a todos”, pontua.
História da região é ligada ao café

O município de Apucarana é o quinto maior produtor de café do Paraná, com cerca de 1.200 hectares cultivados. Foto: Edson Denobi/Prefeitura de Apucarana
A história de Apucarana é profundamente ligada ao café. Bairros da cidade levam nomes de variedades cultivadas ao longo das décadas, como Catuaí e Sumatra.
Atualmente, o município é o quinto maior produtor de café do Paraná, com cerca de 1.200 hectares cultivados e produção anual de 2,3 mil toneladas. A atividade movimenta aproximadamente R$ 215 milhões por ano e figura entre os principais pilares econômicos locais.
A obtenção da Indicação Geográfica contou com o subsídio do programa Sebraetec, do Sebrae/PR, recursos da Prefeitura de Apucarana, por meio da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap), e apoio técnico do Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que atuou com capacitações e estudos técnicos.
Para Carlos César Bovo, cafeicultor e presidente da Acap, “o selo reconhece que o café de Apucarana é especial. Graças às características do solo e do clima da nossa cidade, produzimos um café que só é encontrado aqui e na África”.
Do ponto de vista técnico, o Café da Serra de Apucarana se destaca pela excelência dos grãos da variedade arábica, cultivados em áreas acima de 700 metros de altitude.
As temperaturas amenas, o regime de chuvas bem distribuído e a presença de ácido fosfórico no solo contribuem para a maturação uniforme e lenta dos grãos, resultando em um perfil sensorial próprio, com acidez equilibrada, notas frutadas — como frutas amarelas e vermelhas — e predominância de melaço.
Práticas rigorosas de colheita seletiva e secagem controlada completam o conjunto de fatores que garantem a qualidade.

Selo de Indicação Geográfica. Imagem: Divulgação








