Propriedades do insumo podem afetar a saúde, ganho de peso e desempenho dos animais (Foto: Divulgação)
A qualidade da água, considerada tão importante quanto uma alimentação balanceada, é um fator que pode influenciar diretamente os resultados das fazendas, afetando a saúde, o ganho de peso e o desempenho produtivo do rebanho. Por esse motivo, a oferta de água em quantidade e qualidade adequadas deve estar entre os pontos de atenção dos pecuaristas, tanto em sistemas a pasto quanto em confinamento.
Como a água representa entre 50% e 70% do peso corporal dos bovinos e participa de processos como digestão e absorção de nutrientes, sua disponibilidade é essencial para o organismo. De acordo com o zootecnista, Bruno Marson, um bovino pode sobreviver mesmo após perdas significativas de gordura corporal e tecido muscular, mas a redução de 10% a 12% da água corporal pode levar o animal à morte.
“Água limpa atrai os animais. Já a água suja, com lodo ou fezes, reduz a ingestão diária de água, o que também pode diminuir o consumo de alimentos e comprometer o desempenho do rebanho. O fornecimento de água limpa pode aumentar significativamente o ganho diário de peso, somando dezenas de quilos extras por boi ao fim de um ciclo”, explica Marson.

Fornecimento de água limpa impacta significativamente no ganho diário de peso, somando dezenas de quilos extras por boi ao fim de um ciclo. Foto: Divulgação
Além de prejudicar o consumo e o desempenho dos animais, a água contaminada pode transmitir doenças como verminoses, leptospirose e botulismo. Por isso, é preciso que o gado disponha de infraestrutura adequada para ter acesso ao recurso, com bebedouros limpos e boa vazão. Medidas relacionadas à qualidade, disponibilidade e manejo da água podem contribuir para melhorar os resultados da propriedade. Além disso, a oferta de água limpa ajuda a reduzir a ocorrência de doenças, os gastos com medicamentos e a mortalidade, além de favorecer o desenvolvimento dos animais.
LEIA TAMBÉM:
→ Boitel ajuda pequenas fazendas a crescer sem comprar novas áreas
Principais cuidados
Marson observa que, para tratar a água do rebanho de maneira eficiente e com baixo custo, o foco deve estar no isolamento das fontes nativas, na desinfecção química e no manejo físico dos reservatórios. Ele pontua que é preciso evitar que o gado tenha acesso direto a açudes, rios ou barreiros, já que a entrada dos animais nessas áreas favorece a contaminação por fezes e urina e revolve o lodo depositado no fundo. O recomendado é isolar açudes e córregos com cercas para proteger as margens e usar bombas para conduzir a água da superfície do açude para caixas d’água centrais, de onde ela pode seguir por gravidade para os bebedouros dos pastos.
Segundo o especialista, o cloro é uma alternativa de baixo custo para a desinfecção da água, auxiliando no controle de bactérias, vírus e protozoários. “Mas nenhum produto químico substitui a limpeza mecânica”, alerta. “O ideal é que os bebedouros sejam limpos pelo menos uma vez por semana. Quando essa frequência não for viável, a fazenda deve acompanhá-los na rotina e antecipar a limpeza sempre que houver acúmulo de lodo, algas, fezes ou outros resíduos.”

Tão importante quanto a genética, a nutrição e o manejo de pastagem, a água tem influência direta sobre os resultados da propriedade. Foto: hikwamehluli/Pixabay
Para evitar o desperdício de água em regiões de seca, uma alternativa recomendada pelo especialista é utilizar decantadores ou realizar a limpeza do fundo, retirando apenas de 10% a 20% da água, onde está concentrado o sedimento, com o auxílio de motobombas portáteis ou sifões. O restante da água limpa é preservado.
Outro ponto a ser observado é a localização dos bebedouros. Quando o animal precisa caminhar longas distâncias para encontrar água de qualidade, o deslocamento pode interferir em seu consumo e desempenho. Segundo Marson, o ideal é instalar pontos de fornecimento distribuídos estrategicamente pela propriedade, de acordo com o sistema de produção e a viabilidade de cada fazenda.
“Tão importante quanto a genética, a nutrição e o manejo de pastagem, a água tem influência direta sobre os resultados da propriedade. Cuidar da qualidade e da disponibilidade desse insumo é cuidar diretamente do bem-estar do rebanho, do desenvolvimento dos animais e da rentabilidade da fazenda”, finaliza o zootecnista.








