Estudo alerta para a letalidade de 100% do fedegoso-branco (Senna obtusifolia) em animais intoxicados (Foto: nguyenngochien/Pixabay)
Na pecuária, o manejo de pastagem é amplamente associado à eliminação da matocompetição e à melhoria na oferta de forragem para o rebanho. No entanto, um fator crítico e muitas vezes subestimado pelos pecuaristas é o risco de intoxicação e morte de animais provocado por plantas daninhas venenosas. Além de deteriorar o pasto e reduzir a área útil para o pastejo, a presença dessas espécies invasoras na propriedade representa uma ameaça direta à vida do rebanho. Neste cenário, o controle das daninhas deve ser realizado com a aplicação de herbicidas.

Plantas tóxicas que ameaçam as pastagens brasileiras incluem diversas espécies do gênero Senna, como S. occidentalis, S. pendula e S. Pilifera. Foto: Divulgação
As plantas tóxicas que ameaçam as pastagens brasileiras incluem diversas espécies do gênero Senna, como S. occidentalis, S. pendula e S. pilifera. No entanto, o principal foco de atenção devido ao seu potencial destrutivo é a Senna obtusifolia, popularmente conhecida como fedegoso-branco. Esta planta ereta e subarbustiva, caracterizada por várias ramificações saindo do solo em vez de um único fuste. Mede habitualmente entre 70 cm e 160 cm, mas pode ultrapassar os 2 metros em condições favoráveis. Seu sistema radicular é perene, mas a parte aérea se renova anualmente. Sua propagação ocorre exclusivamente por sementes.
Segundo a engenheira florestal, Thaís Lopes, o fedegoso-branco desenvolve-se por todo o território nacional, adaptando-se tanto a pastagens quanto a lavouras anuais e perenes. “Em algumas regiões, a espécie demonstra rápida germinação, surgindo logo com as primeiras chuvas. O principal impacto econômico no pasto se dá por meio da concorrência agressiva por espaço, água, luz e nutrientes, o que reduz drasticamente a produção de massa verde e a qualidade da forragem. A conhecida matocompetição. Isso resulta na diminuição da alimentação animal, afetando o ganho de peso e a queda na produção de leite e/ou carne, além de reduzir a taxa de lotação da fazenda”, explica.
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Sinal de alerta
Embora os casos de intoxicação não sejam cotidianos, tem-se observado um aumento expressivo de ocorrências no Mato Grosso do Sul, além de registros em Santa Catarina e no Paraná. Segundo estudos, entre eles, a Pesquisa Veterinária Brasileira, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que revelam que a ingestão de folhas e vagens verdes causa um quadro de miopatia degenerativa grave com letalidade de 100% nos animais afetados.

O fedegoso-branco desenvolve-se por todo o território nacional, adaptando-se tanto a pastagens quanto a lavouras anuais e perenes. Foto: Divulgação
“O quadro clínico é marcado por um ataque muscular severo, no qual os animais manifestam fraqueza extrema, dificuldade de locomoção, urina escura devido à liberação de mioglobina e decúbito esternal permanente. Pesquisas comprovam ainda que tratamentos paliativos de suporte, como o uso de Vitamina E e Selênio, não têm eficácia clínica na reversão desse quadro fatal”, pontua Thaís.
Para eliminar esse perigo, o controle puramente mecânico, como a roçagem manual ou mecânica, muitas vezes falha por eliminar apenas a parte aérea, tornando o sistema radicular perene ainda mais vigoroso. A solução ideal consiste no manejo das invasoras com aplicação de herbicidas tecnológicos. Para o controle, de plantas daninhas anuais, bianuais e herbáceas como o fedegoso-branco. Com formulações modernas e altamente concentradas, os produtos da rendem significativamente mais por hectare tratado.
“Manter o pasto limpo e livre de ameaças como o fedegoso-branco é o primeiro passo para blindar a fazenda contra perdas severas de produtividade e, principalmente, contra a morte de animais”, finaliza Thaís.








