Especialista em economia circular destaca atitudes simples que podem fazer parte da rotina de empresas, comunidades e consumidores
Realizado anualmente em diferentes partes do mundo, o Clean Up Day é uma oportunidade para olhar para os resíduos produzidos no dia a dia e repensar a forma como nos relacionamos com eles.
Saville Alves, fundadora da startup SOLOS, negócio socioambiental especializado em economia circular, de Salvador-BA, acredita que a data pode ir além dos mutirões de limpeza e se tornar um ponto de partida para mudanças de hábitos.
“A partir dessa perspectiva, atitudes simples, como separar corretamente os materiais, reduzir o uso de descartáveis, repensar o consumo, envolver outras pessoas e garantir a destinação adequada dos resíduos, podem contribuir para uma relação mais responsável com os recursos e para a construção de uma economia mais circular”, ressalta Saville.

Mutirão do Movimento Plástico Transforma Foto SOLOS/Divulgação
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A empreendedora explica que a SOLOS é uma startup de impacto que atua junto a territórios e marcas para apoiá-los na superação dos desafios relacionados à economia circular.
Segundo ela, por meio de sistemas inteligentes, conteúdos e experiência e reciclagem em grande eventos, a companhia promove o descarte correto de embalagens pós-consumo, melhorando a vida de todos: dos catadores às tartarugas marinhas. “Em nove anos, a empresa já realizou parcerias com marcas como Ambev, Braskem, iFood, Nubank e Coca-Cola e coletou mais de 2 mil toneladas de resíduos, gerando R$10 milhões em renda para os catadores”, ressalta Saville.

Ao conectar educação, participação das pessoas e uma destinação adequada, a gestão de resíduos deixa de ser apenas uma obrigação e passa a fazer parte de uma estratégia de transformação Foto Prefeitura de Cubatão SP/Divulgação
Ela elenca cinco atitudes práticas para incorporar esse olhar à rotina de todos. Confira:
1 – Comece identificando os resíduos mais gerados
Antes de pensar em soluções, é importante entender o que está sendo descartado. Em uma empresa, por exemplo, é possível observar durante alguns dias quais materiais aparecem com maior frequência no lixo: papel, plástico, vidro, embalagens ou resíduos orgânicos. Esse diagnóstico ajuda a identificar desperdícios e definir estratégias mais eficientes para a gestão dos resíduos.
2 – Separe os materiais corretamente
A separação na origem é uma das etapas mais importantes para que os resíduos possam seguir para a reciclagem. Papel, plástico, metal e vidro devem ser separados dos rejeitos e encaminhados para a coleta seletiva ou para cooperativas de reciclagem. Também é importante verificar as orientações de coleta existentes em cada cidade.
3 – Repense o consumo antes do descarte
A economia circular começa antes de o produto virar resíduo. Optar por materiais reutilizáveis, evitar produtos descartáveis quando houver alternativas e escolher produtos com menos embalagens são atitudes que ajudam a reduzir a geração de resíduos. Nas empresas, essa reflexão também pode orientar compras e processos internos.
4 – Envolva outras pessoas na mudança
Uma ação de limpeza pode ser uma oportunidade para mobilizar funcionários, clientes, moradores e parceiros. Criar campanhas internas, promover atividades educativas ou estabelecer pontos de entrega voluntária são maneiras de transformar o tema dos resíduos em uma pauta coletiva. Quanto mais pessoas participam, maior é o potencial de mudança.
5 – Dê destino correto aos materiais e acompanhe os resultados
Não basta separar: é fundamental garantir que os materiais tenham uma destinação adequada. Empresas e comunidades podem buscar parcerias com cooperativas e iniciativas de reciclagem para assegurar que os resíduos sejam reinseridos na cadeia produtiva. Também vale acompanhar os resultados, como quantidade de materiais encaminhados para reciclagem e redução do volume enviado aos aterros.
Saville destaca ainda que “quando conseguimos conectar educação, participação das pessoas e uma destinação adequada, a gestão de resíduos deixa de ser apenas uma obrigação e passa a fazer parte de uma estratégia de transformação”.
Na avaliação da empreendedora, o Clean Up Day pode ser o ponto de partida para essa mudança, “mas o objetivo é que ela continue durante todo o ano”, reforça Saville.








