Cultivo garante alimento e renda a cerca de 33 milhões de pequenos agricultores na África Subsaariana, mas avanço da produção é ameaçado por eventos climáticos, pragas, doenças e cadeias de valor pouco desenvolvidas (Foto: FAO)
Mais de um bilhão de pessoas consomem batata diariamente em todo o mundo. Alimento básico em diferentes continentes, o tubérculo pode ser preparado frito, assado, cozido, em forma de purê ou com curry.
Também é processado para a produção de farinha, amido, bebidas e diversos outros derivados, entre eles um substituto biodegradável para o plástico.
Na África Subsaariana, onde a fome e a desnutrição continuam sendo desafios graves, a batata representa uma importante oportunidade para ampliar a segurança alimentar e gerar renda no campo. Cerca de 33 milhões de pequenos agricultores dependem de culturas como a batata para a alimentação e a subsistência.
Esses produtores respondem por aproximadamente 70% dos alimentos consumidos no continente africano e, geralmente, cultivam áreas com menos de um hectare.
A necessidade de fortalecer a produção local é urgente.
Segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026, dos 266 milhões de habitantes de 47 países que enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2025, mais de 87 milhões estavam na África. Aproximadamente 35,5 milhões de crianças sofriam de desnutrição aguda.
Nesse cenário, ampliar a oferta de alimentos nutritivos, adaptáveis às condições climáticas e produzidos localmente, como a batata, tornou-se essencial.
Cooperação internacional

Quatro países-membros da FAO selecionaram a batata como produto agrícola especial . Foto: FAO/Carl Houston McMillan
Por meio da iniciativa Um País, Um Produto Prioritário (OCOP, na sigla em inglês), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apoia os países na escolha de um produto agrícola especial e no fortalecimento de toda a sua cadeia de valor, desde a produção de sementes até a comercialização.
Quatro países-membros da FAO selecionaram a batata como produto agrícola especial no âmbito da iniciativa. Três deles estão na África: Botsuana, Eritreia e Lesoto. O quarto é o Peru, localizado na Cordilheira dos Andes, região onde a batata se originou e é consumida há mais de oito milênios.
Esse compromisso comum tem criado oportunidades de cooperação entre diferentes regiões. A FAO promove, por exemplo, a Cooperação Sul-Sul entre Lesoto e Peru para ampliar o desenvolvimento de uma cadeia sustentável da batata.
A organização também colabora com 12 países africanos — Burundi, Etiópia, Quênia, Lesoto, Malawi, Moçambique, Ruanda, Sudão do Sul, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue — em um projeto financiado pelo Fundo para a Aplicação de Normas e o Desenvolvimento do Comércio (STDF) da Organização Mundial do Comércio.
O projeto tem como objetivo fortalecer os sistemas de inspeção e diagnóstico e as medidas fitossanitárias adotadas pelos países.
Produção cresce, mas enfrenta ameaças
A produção de batata na África cresceu 20% entre 2019 e 2023. O avanço, entretanto, está sob pressão devido aos eventos climáticos extremos, às pragas, às doenças e ao desenvolvimento ainda limitado das cadeias de valor.
O problema é especialmente grave na África Oriental e Austral, onde nematoides invasores do cisto da batata, conhecidos pela sigla PCN, e doenças bacterianas estão se espalhando rapidamente.
Para proteger os ganhos obtidos na produção, será necessário coordenar medidas entre os países e ao longo de toda a cadeia produtiva.
A resiliência do setor, porém, não depende apenas do enfrentamento das ameaças atuais. Também envolve a proteção dos recursos genéticos necessários para superar desafios futuros.
Conservação das variedades

Os esforços para conservar variedades de batata são uma prioridade máxima para a Comissão de Recursos Genéticos para Alimentação e Agricultura da FAO, que trabalha em conjunto com parceiros globais para salvaguardar esses recursos genéticos. Foto: FAO/Sue Price
A conservação das variedades de batata, principalmente daquelas mantidas por comunidades indígenas e locais, está entre as prioridades da Comissão de Recursos Genéticos para a Alimentação e a Agricultura da FAO.
A Comissão trabalha com parceiros internacionais para proteger esses recursos genéticos e garantir que continuem disponíveis para pesquisas, programas de melhoramento e práticas agrícolas sustentáveis.
Por meio de um fundo de repartição de benefícios, o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura também contribui para ampliar a capacidade de agricultores e melhoristas de desenvolver variedades de alta qualidade, adaptadas a diferentes condições sociais e ambientais.
A preservação da diversidade, entretanto, é apenas parte da solução. A inovação também deve ajudar os produtores a responder às rápidas mudanças nas condições de cultivo.
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Inovação no campo
Tecnologias como a biotecnologia e a edição genética podem acelerar o desenvolvimento de variedades de batata resistentes à seca, ao calor, ao frio, às pragas e às doenças. Essas variedades também precisam se tornar mais acessíveis aos agricultores, inclusive aos que produzem em pequena escala.
Combinadas, conservação, inovação e cooperação podem ajudar a aproveitar todo o potencial de uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo.
Celebrado em 30 de maio, o Dia Internacional da Batata funciona como um ponto de mobilização global e um chamado para que governos, pesquisadores, agricultores e consumidores contribuam para explorar o potencial ainda pouco aproveitado da cultura.
O fortalecimento da cooperação regional, dos pequenos agricultores e da inovação agrícola será fundamental para que a batata continue alimentando a população africana e sustentando a subsistência dos produtores do continente.
Fonte: Abebe Haile-Gabriel e Yurdi Yasmi/ FAO








