Expedições realizadas em áreas protegidas pela Vale localizaram novas populações de espécies raras dos campos rupestres mineiros, algumas delas sem registros havia cerca de três décadas
(Foto: Matheus Zaza/Video Delivery)
Plantas raras e consideradas, até então, possivelmente extintas na natureza voltaram a ser encontradas no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais.
As novas populações foram localizadas por um grupo de botânicos especialistas durante expedições realizadas em áreas protegidas e mantidas pela Vale. Os últimos registros de algumas dessas espécies datavam de aproximadamente três décadas atrás.
As descobertas fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, desenvolvido desde 2014 pela Vale em parceria com universidades e instituições de pesquisa.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a flora regional e desenvolver métodos de propagação, conservação genética e recuperação de espécies ameaçadas.
Entre as plantas encontradas estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como “sempre-vivas” ou “chuveirinhos”. Endêmicas dos campos rupestres mineiros — isto é, encontradas naturalmente apenas nessa região —, elas são caracterizadas por flores delicadas que preservam a aparência mesmo depois de secas.
Os campos rupestres estão entre os ecossistemas mais ricos em biodiversidade do planeta. Formados em áreas montanhosas, com solos rasos e presença abundante de rochas, eles submetem as plantas a condições extremas, como incidência solar intensa, baixa disponibilidade de água e poucos nutrientes. Ainda assim, abrigam grande quantidade de espécies que não existem em nenhum outro lugar.
Pequenos pompons entre as rochas

Coracoralina amoena, conhecida popularmente como “chuveirinho”. Foto: Reprodução : Matheus Zaza/Video Delivery
Descrita no início do século XX, a Paepalanthus magalhaesii ocorre exclusivamente nos campos rupestres do Quadrilátero Ferrífero.
A planta cresce rente ao chão e forma um pequeno tufo de folhas verdes. Dele partem hastes finas que sustentam flores arredondadas, brancas ou de tonalidade creme, semelhantes a minúsculos pompons espalhados entre as rochas.
Durante décadas, acreditou-se que a espécie pudesse ter desaparecido da natureza. As expedições, no entanto, identificaram novas populações nas áreas protegidas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, localizadas entre os municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.
A descoberta indica que essas reservas funcionam como refúgios para espécies raras e ajudam a preservar parte importante da flora brasileira.
Já a Coracoralina amoena é considerada uma das plantas mais raras dos campos de Minas Gerais. Também restrita ao Quadrilátero Ferrífero, ela vive em ambientes rochosos, onde o solo é fino e a água permanece escassa durante boa parte do ano.
Apesar das condições adversas, a pequena planta produz flores de tons claros que lembram botões ou pompons e se destacam entre as pedras.
A raridade e a ausência prolongada de registros fizeram com que a espécie fosse apontada na literatura científica como possivelmente desaparecida da natureza.
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Descobertas ampliam registros científicos
Além de confirmar a sobrevivência das espécies, o projeto aumentou significativamente o conhecimento sobre a distribuição das duas plantas. Aproximadamente 70% dos registros atuais de Paepalanthus magalhaesii e 40% dos registros de Coracoralina amoena disponíveis em bases científicas foram produzidos pelas pesquisas realizadas desde 2014.
“Na literatura atual não temos informações técnicas sobre propagação e produção de muitas das plantas endêmicas dos campos rupestres do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. Esse trabalho irá contribuir efetivamente não só para sobrevivência e reprodução de espécies raras, mas também como suporte para o desenvolvimento de planos de conservação e manejo, além de deixar um importante legado científico, destaca Ana Amoroso, engenheira florestal da Vale.
Parte do material coletado durante as expedições foi encaminhada a um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) que integra a Rede Propagar. Os pesquisadores trabalharão no desenvolvimento de técnicas de germinação e conservação genética, além de estudar o emprego dessas plantas em futuras ações de restauração de ambientes degradados e recuperação de espécies ameaçadas.
O conhecimento produzido também deverá ultrapassar os laboratórios. A proposta é compartilhar as técnicas com pequenos produtores e viveiristas, incentivando a produção de espécies nativas e criando novas possibilidades econômicas para comunidades da região.
“Os resultados irão viabilizar avanços científicos inéditos, novas estratégias de conservação e recuperação da biodiversidade do Quadrilátero Ferrífero, além de fomentar o desenvolvimento sustentável e econômico das comunidades locais, uma vez que o conhecimento será compartilhado, através de cartilhas e outros meios de comunicação, para uso por pequenos produtores e viveiristas o que irá viabilizar o aumentando da produção e distribuição dessas espécies”, destaca a professora e doutora Maria Zucchi, da APTA Regional de Piracicaba.








