Especialista explica o que realmente importa na escolha, no consumo e na conserva
Cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, o azeite também desperta interesse quando o assunto é alimentação equilibrada. Ingrediente tradicional da dieta mediterrânea, ele é fonte de gorduras monoinsaturadas, especialmente do ácido oleico, e os azeites virgens e extra virgens também concentram compostos fenólicos, estudados por suas propriedades antioxidantes e por possíveis efeitos sobre a saúde.

É mito que quanto mais picante, melhor o azeite Foto Divulgação
O especialista Eduardo Casarin afirma que “quando falamos de azeite, estamos falando de um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”.
Saúde cardiovascular
Cintya Bassi, nutricionista e coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, explica que o azeite de oliva é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3. “Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL)”.
Segundo ela, além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol.
O interesse pelo produto também aparece nos números. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações brasileiras cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
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O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações culinárias Foto Freepik/Divulgação
Mitos e verdades
Mesmo estando cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, o azeite ainda é cercado por dúvidas que podem influenciar a escolha do consumidor. Cor, amargor, picância, categoria, uso no preparo e forma de conservação são alguns dos aspectos que geram interpretações nem sempre corretas.
Para esclarecer o que é fato e o que é mito, os especialistas analisam oito afirmações comuns sobre o produto e explicam o que o consumidor deve observar na prática.
Tire as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite, conferindo alguns mitos e verdades:
VERDADE | O azeite é fonte de gordura monoinsaturada
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE | Azeites virgens e extra virgens possuem compostos fenólicos
Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
MITO | Quanto mais picante, melhor o azeite
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
VERDADE | O azeite pode ser usado para cozinhar
O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.

A cor mais verde não significa que o azeite é melhor Foto Pexels/Divulgação
MITO | Azeite extra virgem é a única opção que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada
A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE | O azeite combina com muito mais do que saladas
Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.
MITO | A cor mais verde significa que o azeite é melhor
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.
VERDADE | A forma de conservação influencia a qualidade
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
MITO | Amargor é sinal de azeite estragado
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.
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O azeite combina com muito mais do que saladas Foto Receitas Nestlé/Divulgação
Consumo de azeite e saúde
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.
Na avaliação do especialista, no Brasil, onde o mercado segue em expansão, conhecer melhor o produto pode ajudar o consumidor a fazer escolhas de acordo com suas preferências e necessidades, além de aproveitar melhor seus atributos nutricionais e gastronômicos.








