Nutricionista explica por que a prisão de ventre pode ter diferentes causas e quando é preciso investigar além da alimentação (Foto: thelogocraft/Pixabay)
Água, fibras e alimentos que “fazem o intestino funcionar” costumam ser as primeiras recomendações para quem sofre com constipação. Mas e quando a pessoa já bebe bastante água, aumentou o consumo de fibras e, mesmo assim, continua com dificuldade para evacuar?
A constipação intestinal é mais complexa do que simplesmente evacuar poucas vezes por semana. Fezes endurecidas, esforço excessivo, sensação de evacuação incompleta e dificuldade para eliminar as fezes também podem fazer parte do quadro. E as causas são diversas: alterações no trânsito intestinal, dificuldades no processo de evacuação, Síndrome do Intestino Irritável com predomínio de constipação e alterações na interação entre intestino e cérebro.

A constipação intestinal é mais complexa do que simplesmente evacuar poucas vezes por semana. Foto: saranya7/Pixabay
Também podem estar relacionados ao quadro o Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado (SIBO) e, especialmente, o Supercrescimento de Microrganismos Metanogênicos no Intestino (IMO). O excesso de metano no intestino está associado à redução da velocidade do trânsito intestinal e pode estar relacionado à constipação em alguns pacientes.
Além disso, o uso de determinados medicamentos e a presença de doenças associadas também podem contribuir para a prisão de ventre. Por isso, quando a constipação é persistente, recorrente ou não melhora com mudanças simples na alimentação e no estilo de vida, é importante investigar o que pode estar por trás do sintoma.
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Fique atento
De acordo com a nutricionista clínica funcional Leticia Machado, algumas estratégias que funcionam para uma pessoa podem não funcionar para outra. A especialista alerta que simplesmente aumentar a quantidade de fibras nem sempre é a melhor solução e que, em alguns casos, pode até piorar sintomas como distensão abdominal e gases.

A nutricionista Leticia Machado. Foto: Divulgação
Outro ponto que merece atenção é a qualidade e a diversidade da alimentação. “Uma dieta com fibras, mas baseada sempre nos mesmos alimentos, pode ser pouco diversificada. Da mesma forma, uma alimentação com muitos ultraprocessados e pouca presença de frutas, vegetais, leguminosas, sementes e outros alimentos de origem vegetal pode influenciar a saúde intestinal”, ressalta Letícia.
A alimentação é importante, mas não deve ser analisada de forma isolada. O importante é entender o que está por trás do sintoma, considerando hábitos alimentares, funcionamento intestinal, medicamentos em uso e possíveis condições associadas. A avaliação deve ser individualizada e, quando necessário, envolver o acompanhamento conjunto entre nutricionista, gastroenterologista e proctologista.








