Auditoria europeia considera eficazes os controles brasileiros sobre antimicrobianos nas duas cadeias. Reabertura depende de decisão do bloco, enquanto bovinos enfrentam exigências de rastreabilidade durante toda a vida
(Foto: Agência Brasil/Arquivo)
O Brasil deu um passo para recuperar o mercado da União Europeia para carne de aves e mel.
Uma auditoria da Comissão Europeia concluiu que os controles brasileiros são capazes de garantir o cumprimento das restrições do bloco ao uso de antimicrobianos nessas duas cadeias.
O resultado favorece a retomada das exportações, mas ainda depende da reinclusão do país na lista de fornecedores autorizados. Para a carne bovina, o caminho deve ser mais longo. Uma autoridade europeia estima que a volta dos embarques levará pelo menos dois anos.
Publicado na segunda-feira (28/9) e destacado pelo Palácio do Planalto na terça-feira (29), o relatório da Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos (DG Santé) – em inglês – apresenta os resultados da missão realizada no Brasil entre 24 de agosto e 4 de setembro.
A avaliação concentrou-se na carne de frangos de corte e seus derivados, além de mel e outros produtos apícolas. A produção bovina ficou fora do escopo.
“A auditoria constatou que o arcabouço legal, os manuais de procedimentos e a capacitação oferecida aos inspetores nacionais, bem como os controles oficiais existentes no Brasil, são capazes de fornecer as garantias exigidas pelo artigo 118(1) do Regulamento (UE) 2019/6 nas duas cadeias abrangidas pela auditoria”, afirma o documento, em tradução do inglês.
As exigências proíbem o uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais, assim como de substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos. O relatório ressalta que essas proibições devem ser respeitadas durante toda a vida do animal.
Separação da produção foi decisiva para as aves
Na cadeia avícola, a avaliação positiva depende da separação da produção destinada à União Europeia. Isso porque determinados antimicrobianos proibidos pelo bloco continuam autorizados no Brasil, exigindo controles específicos para impedir seu uso nos animais que abastecem o mercado europeu.
Os auditores verificaram procedimentos para identificar as rações elegíveis, evitar contaminação cruzada e acompanhar os lotes ao longo da cadeia. Também examinaram regras para desqualificar produtos e excluir granjas do fornecimento ao bloco quando houver uso, ou indicação de uso, das substâncias proibidas.
O ciclo curto dos frangos ajudou na adaptação. Segundo informações apresentadas pelo Mapa e registradas no relatório, as verificações oficiais nas granjas começaram em 1º de julho.
Como o ciclo de criação é de aproximadamente 45 dias, os lotes abatidos a partir de 16 de agosto já haviam completado todo o período produtivo sob os novos controles.
A missão identificou uma fragilidade: os controles específicos nas fábricas de ração ainda não abrangiam os estabelecimentos produtores de pré-misturas, que também podem incorporar antimicrobianos à alimentação das aves.
Durante a auditoria, as autoridades brasileiras ampliaram os procedimentos para alcançar esses fabricantes e reforçaram as exigências de monitoramento.
“Na época da auditoria, o sistema de controles oficiais sobre o não uso de determinados antimicrobianos, embora recentemente implementado, funcionava de maneira eficaz nos dois setores”, conclui o relatório.
A fragilidade identificada nos controles das pré-misturas foi corrigida enquanto a missão ainda estava em andamento.
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Mel combina rastreabilidade e controle dos fornecedores
Para o mel, as garantias se apoiam na ausência de medicamentos veterinários registrados para uso em abelhas, na fiscalização dos apicultores e na rastreabilidade dos produtos.
Nos estabelecimentos visitados, os auditores verificaram registros dos apiários fornecedores, notas fiscais e procedimentos para comprovar a ausência de uso de antimicrobianos. As empresas conseguiram demonstrar a rastreabilidade dos produtos acabados até as matérias-primas utilizadas.
“O sistema existente para mel e outros produtos apícolas, conforme observado durante a auditoria, é suficiente para assegurar que o mel e outros produtos apícolas exportados para a União cumpram esses requisitos”, afirma o documento.
Ao encerrar a avaliação, a equipe europeia não apresentou recomendações.
A conclusão abre caminho para a reabertura, mas não equivale à autorização para exportar. O Mapa solicitou que o relatório seja incluído na pauta da reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), marcada para 20 e 21 de outubro, para análise da reinclusão do Brasil na lista de fornecedores autorizados.
O próprio relatório esclarece que, desde 3 de setembro de 2026, o Brasil não está autorizado a fornecer os animais e produtos abrangidos pelas exigências sobre antimicrobianos com certificação emitida a partir dessa data.
A restrição decorre da ausência do país na lista europeia específica para essas garantias sanitárias.
Retorno da carne bovina deve demorar mais
Apesar do avanço para aves e mel, a carne bovina brasileira deve levar pelo menos dois anos para voltar ao mercado europeu, segundo estimativa de Eric Thévenard, diretor de Auditorias e Análises de Saúde e Alimentos da Comissão Europeia.
A previsão foi apresentada na segunda-feira (28), à Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu.
O prazo está relacionado ao ciclo entre o nascimento e o abate dos bovinos e à necessidade de comprovar que as regras sobre antimicrobianos foram cumpridas durante toda a vida dos animais. A mudança dos procedimentos, portanto, precisa ser acompanhada de um histórico verificável de criação sob os novos controles.
Segundo a Folha de S.Paulo, o governo brasileiro apresentou garantias que incluem um protocolo de auditoria de fazendas e frigoríficos e normas sobre medicamentos proibidos, rastreabilidade e bloqueio de lotes.
A cadeia bovina ainda aguarda uma auditoria presencial semelhante à realizada para aves e mel. O prazo de dois anos é uma estimativa, sem data garantida para a reabertura.
Redação A Lavoura








