Especialistas recomendam investir em estratégias preventivas e tecnologias eficientes para reduzir perdas e preservar a produtividade das lavouras de batata e tomate (Foto: Divulgação)
As condições típicas do inverno brasileiro, marcadas por temperaturas mais amenas, formação frequente de orvalho, maior permanência da umidade sobre as plantas e menor evaporação, favorecem o desenvolvimento de doenças fúngicas e a incidência de importantes pragas na horticultura. Em 2026, esse cenário ganha ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da expectativa de um evento de El Niño mais persistente, capaz de alterar o regime de chuvas e elevar a pressão fitossanitária em diversas regiões produtoras.

Segundo especialistas o sucesso da safra dependerá cada vez mais da capacidade dos produtores de antecipar problemas e investir em estratégias preventivas de manejo, especialmente em culturas de alto valor agregado, como batata e tomate. Foto: Divulgação
Nesse contexto, especialistas alertam que o sucesso da safra dependerá cada vez mais da capacidade dos produtores de antecipar problemas e investir em estratégias preventivas de manejo, especialmente em culturas de alto valor agregado, como batata e tomate.
Segundo o engenheiro agrônomo, João Silvatti, a atenção deve ser permanente. “A infestação de doenças e pragas pode ser silenciosa e extremamente agressiva. Muitas vezes, quando o produtor percebe os sintomas, esses problemas já estão disseminados, tornando o controle mais difícil”, afirma.
Em um cenário de maior instabilidade climática e custos elevados de produção, decisões baseadas em monitoramento, prevenção e tecnologias adequadas podem representar um diferencial competitivo para o horticultor. Mais do que reagir ao aparecimento de doenças e pragas, a tendência do setor é investir em programas integrados de manejo que combinem conhecimento técnico, inovação e proteção fitossanitária, contribuindo para maior segurança operacional, qualidade dos produtos e sustentabilidade da produção.
Requeima e rizoctoniose estão entre as principais ameaças fúngicas
A batata e o tomate estão entre as hortaliças de maior importância econômica do País, mas também figuram entre as mais vulneráveis a doenças capazes de reduzir significativamente a produtividade e a qualidade. A principal delas é a requeima (Phytophthora infestans), uma das enfermidades mais destrutivas desses cultivos. Favorecida por ambientes úmidos e temperaturas entre 18°C e 24°C, comuns nesta época do ano, a doença se espalha rapidamente, sobretudo em plantações densas, podendo comprometer a lavoura em poucos dias.
Dados da Embrapa apontam que as perdas provocadas pela requeima na batata podem variar de 10% a 50% da produção, dependendo da gravidade da infecção. No tomate, o impacto pode representar reduções entre 20% e 70%. Sem manejo adequado, as perdas podem chegar a 100% em ambas as culturas.
Outra preocupação dos produtores é a rizoctoniose (Rhizoctonia solani), doença que afeta o desenvolvimento inicial das plantas, provoca a morte de brotos, reduz a formação e o tamanho dos tubérculos e causa as conhecidas crostas escuras superficiais, chamadas de mancha-asfalto, depreciando a qualidade comercial da produção. Quando não controlada, pode reduzir em até 30% a produtividade da cultura da batata.

Dados da Embrapa apontam que as perdas provocadas pela requeima na batata podem variar de 10% a 50% da produção, dependendo da gravidade da infecção. Foto: fotorain/Pixabay
“Quando as condições climáticas favorecem o desenvolvimento dos patógenos, o monitoramento frequente e a adoção de um programa preventivo fazem toda a diferença. O produtor precisa atuar antes que a doença esteja instalada para preservar o potencial produtivo da lavoura”, destaca Silvatti.
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Pragas também exigem monitoramento contínuo
Além das doenças, o inverno mantém elevada a importância do controle de pragas na horticultura. Em culturas como tomate, batata e diversas hortaliças, insetos sugadores e mastigadores podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos produtos destinados ao mercado. Entre os principais alvos estão mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, traça-do-tomateiro e vaquinha-da-raiz.
Para Silvatti, a evolução dos desafios fitossanitários exige uma agricultura cada vez mais técnica e preventiva. “O produtor que investe em monitoramento, planejamento e ferramentas adequadas amplia sua capacidade de enfrentar períodos de maior pressão de doenças e pragas. O manejo antecipado não apenas protege a lavoura, mas contribui para melhores resultados em produtividade, qualidade e rentabilidade ao longo da safra”, conclui.








