Com previsão de excesso de chuvas no Sul e seca no Centro-Norte, produtores devem redobrar a atenção contra o avanço da brusone
(Foto: Freepik/Sindiveg)
Os produtores de arroz devem reforçar o monitoramento das lavouras diante da permanência do fenômeno El Niño, que tem probabilidade superior a 90% de continuar até o começo de 2027, segundo monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com previsão de chuvas acima da média na Região Sul e estiagem acompanhada de altas temperaturas no Centro-Norte, especialistas alertam que as condições climáticas podem favorecer o desenvolvimento da brusone, considerada a principal doença da cultura no Brasil.
As alterações no regime climático devem impor desafios tanto às áreas de arroz irrigado quanto às lavouras de terras altas. Enquanto o excesso de água pode comprometer o desenvolvimento das plantas em algumas regiões, o estresse hídrico tende a afetar a produtividade em outras.
Além disso, a combinação de alta umidade, temperaturas entre 20°C e 30°C e longos períodos de molhamento foliar cria um ambiente propício para a proliferação da brusone, doença causada pelo fungo Pyricularia oryzae.
“A brusone é a doença mais destrutiva do arroz. Ocorre em todo o território brasileiro e pode comprometer toda a produção”, explica o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fabio Kagi.
A doença pode atingir toda a parte aérea da planta em qualquer fase de desenvolvimento. Os primeiros sinais costumam aparecer como pequenos pontos castanhos que evoluem para manchas arredondadas, com extremidades agudas e centro necrótico, local onde o fungo se reproduz.
Com o avanço da infecção, as lesões podem se unir e comprometer grandes áreas da folhagem, reduzindo o potencial produtivo da lavoura.
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Manejo integrado é a principal estratégia
Diante do cenário climático previsto, especialistas recomendam que os produtores invistam em um manejo integrado para reduzir os riscos de perdas.
Um dos principais pontos de atenção é o controle das sementes contaminadas deixadas sobre o solo, que funcionam como fonte de inóculo e podem ser espalhadas pela chuva para novas áreas.
“O tratamento de grãos com fungicidas sistêmicos é uma das medidas mais eficazes atualmente. A prática garante proteção na fase vegetativa contra infecções primárias, normalmente oriundas de lavouras vizinhas ou de restos culturais de safras anteriores”, destaca Kagi.
Outro momento decisivo é a proteção das panículas, estrutura diretamente relacionada ao enchimento dos grãos. Segundo o especialista, a adoção de medidas preventivas nessa fase é fundamental para preservar a produtividade.
“As primeiras aplicações devem ocorrer entre emborrachamento e o início de emissão das panículas, seguindo a recomendação disposta em bula para o produto”, alerta Kagi.
Com a tendência de manutenção do El Niño e de seus efeitos sobre o clima brasileiro, o acompanhamento constante das condições das lavouras e a adoção de práticas preventivas podem contribuir para reduzir os impactos da doença e garantir maior segurança à produção de arroz.








